Críticas Lucinha no Cinema

Joy – O Nome do Sucesso

Que os EUA são conhecidos como a Terra de oportunidades não há nenhuma dúvida! Por conta disso, o sonho americano é perseguido desde sempre pelos inconformados, desterrados, curiosos, sonhadores … Mas essas oportunidades não se acham ali na esquina, nem são vendidas numa barraquinha de comes-e-bebes, como faz parecer a enorme quantidade dos que pisam em solo americano.

Às vezes alguém acerta de primeira, ganha milhões e alcança o Olimpo rápido. Mas, a grande maioria rala, tenta, mas não chega a lugar nenhum. Alguns conseguem dinheiro e fama, depois de muito trabalho e sofrimento. E é dessa minoria, perfeito retrato do empreendedor americano bem sucedido que trata o novo longa de David Russell (‘O lado bom da vida’, ‘Trapaça’, ‘O vencedor’) – ‘Joy – O nome do sucesso’.

A primeira impressão não é boa. O filme não é bonito, esteticamente falando, demora muito para acabar, tem uma estória que parece ficção, de tão estranha e fantasiosa, e apresenta uma família estranha, que alguns identificam como ‘disfuncional’, mas que prefiro chamar de sociopata, egoista ou coisa do gênero.

Como uma mulher criativa, sonhadora, quase uma menina, conseguiu sobreviver nessa família e ainda por cima empreender, criar coisas úteis e ganhar dinheiro e fama, se é que o que nos mostra o roteiro faz jus à realidade?

Ainda não sei. A gente sai do cinema com a impressão de que aquilo não podia ter acontecido! Não naquela família, não daquele jeito, não naquela época. Em todos os momentos do filme, as pessoas pareciam um bando de aloprados, cada um querendo um pedaço da tal Joy. E ela parecendo à beira de um ataque de nervos a cada cena.

Tem o pai Rudy (Robert De Niro), que é devolvido pela atual mulher por incompatibilidade de gênios e vai morar no mesmo porão que o ex-marido Tony Miranne (Édgar Ramirez), que pensa que é cantor, mas não consegue sobreviver disso nem de nada mais. E tem a mãe Terry (Virgínia Madsen), deprimida, confinado num quarto com uma grande TV, totalmente dependente de novelas, sonhando estar num dos episódios de ‘Dinastia’.

A única alma solidária, alguém que podia cuidar de seus filhos e alimentar os sonhos de Joy, era sua avô Mimi (Diane Ladd), que acaba saindo rápido de cena, mas deixa um monte de pedacinhos de quebra-cabeças para ela montar seus novos sonhos.

Aí chega a nova namorada do pai, Trudy (Isabella Rossellini), que acende a chama da paixão por novidades em Joy. Mas não será fácil como parece. Ela enfrenta muitas dificuldades, inclusive a descrença de Bradley Cooper, na pele de Neil Walker, o executivo especializado em vendas de produtos pela TV. Mas ela não desiste. Aí está o segredo do sucesso: trabalho, trabalho e mais trabalho.

A Joy Mangano da vida real é empreendedora e inventora. Atualmente é a presidente da ‘Ingenious Designs’ e parece que continua tão solidária e criativa como a Joy do filme, pois seus filhos e o ex-marido continuam à sombra dela, trabalhando em sua empresa, exatamente como todos ficavam antes da fama. Ela é detentora de mais de cem patentes e em 1999 fez uma parceria com a rede de televisão Home Shopping Network para a disponibilização de suas patentes.

A impressão que dá é que o filme não nos toca tanto quanto deve tocar nos americanos. Ela é o símbolo do sucesso, o melhor resultado daquilo que podemos chamar de realização dos sonhos na terra das oportunidades.

Apesar dos pesares, vale a ida ao cinema, principalmente pela Jennifer Lawrence. Ela fez por merecer o Globo de Ouro que acabou de ganhar por sua atuação como Joy. Ela fez de tudo e muito mais. Aliás, todos os atores estão bem, apesar de efetivamente estarem eclipsados pela luz fulgurante de Jennifer Lawrence.

E como a cereja do bolo, o filme nos mostra que a necessidade e as crises são os pais da criatividade e da oportunidade. Num daqueles momentos angustiantes de Joy, limpando a casa sempre suja e carente de cuidados, ela imagina e constrói o protótipo de um esfregão que permite espremer a água sem sujar ou molhar as mãos, além de ser super absorvente, batizado posteriormente como ‘Miracle Mop’. Em dez anos vendeu mais de 10 milhões de unidades! Também quero um!

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Sobre o Autor

Lucia Sivolella Wendling

Lucia Sivolella Wendling

Advogada e escreve sobre cinema de todos os tempos.
Frase que a inspira: "Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você" (Jean-Paul Sartre)

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