Críticas Lucinha no Cinema

O Regresso

As primeiras imagens são impactantes: árvores gigantescas, florestas cerradas, imensos rios gelados, abismos profundos, tudo cercado de neve e frio, muito frio. Esse é o cenário de ‘O Regresso’ (‘The Revenant’), o novo filme do cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu, responsável por ‘Birdman’, que ganhou três estatuetas douradas na premiação do Oscar de 2015, Melhor Filme, Diretor e Roteiro Original, além dos longas ‘Amores perros’ e ‘Babel’, premiados mundo afora.

Ao longo dos cento e cinquenta e seis minutos de exibição, veremos muito som e fúria, tanto da natureza quanto dos homens. E incontáveis e sangrentas disputas entre brancos e índios por territórios, além de perseguições e captura de animais, valiosos por suas peles e carne. O filme é, na verdade, uma sucessão de ataques de surpresa, combates ofensivos e defensivos, e uma incessante e dolorosa luta pela sobrevivência.

O roteiro, de Mark L. Smith com o diretor Iñárritu, é baseado no livro ‘The Revenant: A Novel of Revenge’, de Michael Punke, inspirado na história real de Hugh Glass, (Leonardo DiCaprio), explorador e caçador que, na década de 1820, atuava como guia para caçadores de animais em regiões inexploradas e de difícil acesso no Missouri.

Hugh Glass fez parte de um grupo de cem homens, arregimentados pelo General William Henry Ashley, conhecidos como os ‘Ashley’s Hundred’, para subir o rio Missouri numa expedição para a coleta e venda de peles de animais, a cargo da ‘Cia de Peles Montanhas Rochosas’.

Naqueles tempos difíceis e perigosos do início do século XIX, com homens brancos, índios e animais cercados por uma natureza hostil e desconhecida, uma questão pairava no ar: quem era mais destruidor, a implacável força da natureza ou a enorme ambição humana? Esse é o dilema mostrado em toda a sua eloquência pelo diretor mexicano Iñárritu.

Na verdade, a força da natureza se manifestou dentro e fora dos limites das câmeras. O orçamento estipulado para o longa, no valor de US$ 60 milhões sofreu relevante acréscimo, alcançando US$ 135 milhões, em razão de atrasos e do fim prematuro do inverno em Calgary, no Canadá, cenário escolhido originalmente, e onde parte do filme foi rodado durante 3 meses, substituído por Ushuaia, na Argentina.

Uma das cenas mais impactantes do filme mostra uma ursa com filhotes, o que a torna mais perigosa, atacando Hugh Glass. Ele ficou muito machucado, praticamente à beira da morte, mas por um desses incríveis fatos da natureza humana, conseguiu se recuperar.

Como a situação gera um enorme conflito entre ele e os demais personagens, prejudicando o andamento da empreitada, ele é abandonado pelos colegas, enterrado vivo em cova rasa.

Mas esse abandono, que efetivamente ocorreu, não teria sido suficiente para Iñárritu. O desejo de vingança que motiva a recuperação do explorador teria sido alimentado por uma questão de honra, inserida na trama por conta do assassinato, pelo mesmo caçador que o abandonou, John Fitzgerald (Tom Hardy), de um filho de Hugh Glass, cuja existência não é realmente confirmada pela história real.

Interessante perceber que ‘O Regresso’, filmado de out/2014 a ago/2015, foi concluído seis meses após Alejandro González Iñárritu ser agraciado com as três estatuetas do Oscar de 2015. Inacreditável!

Por todas essas qualidades, já foi agraciado com ‘O Globo de Ouro de 2016’ de Melhor Filme de Drama, Melhor Diretor e Melhor Ator de Drama.

Ganhou ainda o Bafta 2016 de Melhor Filme, Diretor, Ator, Som e Fotografia, além do Prêmio Screen Actors Guild 2016 na categoria Melhor Ator de Cinema.

A produção do longa foi indicada ao Oscar de 2016 em 12 categorias, incluindo as de melhor filme, diretor e atores protagonista e coadjuvante. O filme é realmente um primor e o ator Leonardo DiCaprio arrasa, superando todos os concorrentes. Deve levar. Espero e torço!

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Sobre o Autor

Lucia Sivolella Wendling

Lucia Sivolella Wendling

Advogada e escreve sobre cinema de todos os tempos.
Frase que a inspira: "Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você" (Jean-Paul Sartre)

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