Crônicas

15 DE NOVEMBRO

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Dia 15 de novembro, dia da proclamação da república!

Mas nenhum brasileiro sério e honesto pode comemorar!

A comemoração será, mais uma vez, dos canalhocratas!

Estes, há décadas, enfeiam, empobrecem, ridicularizam isto a que chamamos república!

Nossa torta república de bananas! Nossa decrépita república dos bananas!

Deodoro da Fonseca, amigo próximo de D. Pedro II, traiu o imperador e, com um golpe tipicamente brasileiro, tornou-se o primeiro presidente!

Depois disso, Floriano Peixoto, o marechal de ferro, liderou o Brasil de forma extremamente violenta e ditatorial!

Nenhum dos dois foi eleito pelo povo, pelo contrário, passaram bem longe dele.

Um pouco mais a frente, a viciosa república do café com leite e os seus favores. República dos cafeicultores e produtores de leite.

Também neste tempo, nada de povo!

E assim, de nomes e nomes (poucos os que, de fato, podem ser chamados com dignidade), a república foi se construindo por meio de conluios, armações, compadrios e transações…

Pobre república!

Getúlio Vargas é um capítulo à parte!

Dono de muitas histórias a se contar: pai do povo, ditador, presidente dos direitos trabalhistas, presidente do “petróleo é nosso”, homem do bem, homem do mal!

E nomes e mais nomes foram se revezando. Para tristeza, falsa alegria ou agonia, foram escrevendo mais páginas para se contar…

Juscelino, suas rodovias e a tenebrosa Brasília!

Não o perdoo pela construção da estúpida capital!

Jânio Quadros, João Goulart e aí a profunda interrupção do processo pseudodemocrático: a terrível ditadura!

Após mais de vinte anos, novos nomes e mais histórias recomeçaram a tal redemocratização: Sarney, Collor, Itamar… Dá até para arrepiar!

Fernando Henrique Cardoso e seus dois mandatos! Meu Deus!

Luís Inácio Lula da Silva, o homem que não podia errar, mas errou. Meu Deus de novo!

Dilma Roussef e Michel Temer fecham as recentes páginas e causam mais arrepios e interjeições de desespero!

Não somos perfeitos e ninguém o é!

A corrupção existe em todo o planeta e em todas as áreas, mas aqui, nesta terra sem igual, nesta surreal nação, o que é errado virou o certo, tem assinatura, carimbo e certidão!

Nossa república tem mais histórias para se envergonhar do que para comemorar e, por isso, não posso ficar feliz com o dia 15 de novembro.

Passados mais de um século, o meu país continua desigual.

Passados mais de um século, o meu país continua sendo explorado, vilipendiado e dilapidado.

Passados mais de um século, o meu país é isso que se vê: uma pálida ideia de uma nação!

 

 

Comentários

Print this entry

Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

%d blogueiros gostam disto: