Crônicas

A BOMBA

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Há uma bomba armada e prestes a explodir…

Toda vez que o preconceito aparece. Quando o outro, na nossa frente estremece. Quando nós, os humanos seres, cheios de saberes, não temos compaixão, fingimos uma civilização!

Há uma bomba dentro de cada um…

E ela pode explodir…

Num pequeno gesto, num pequeno olhar! Em qualquer horário e qualquer lugar! Num pátio, numa estação, numa praça, no meio do coração.

E ela explode quando nos calamos diante do caos, do desrespeito, da alienação, da politicalha e dos canalhas, da breve vida entrecortada de suposições, do nexo e do desconexo e de boas intenções!

E a bomba explode e volta a explodir…

No sinal de trânsito, na praia, no riso e na vaia, na rua, no quarto, sozinho ou na multidão. No claro e no escuro, na direita ou na esquerda, no centro ou na contramão! No diálogo tenso, na falta de diálogo ou no silêncio agudo, no semblante pálido e no cidadão mudo.

A bomba é a bomba e, como toda bomba, sua essência é explodir. E ela explode em centenas de outras bombas que explodem em milhares de outras bombas que explodem milhões de outras que explodem e explodem e explodem…

A cada minuto da pós-modernidade. A cada centelha da incrível e desesperada sobrevivência da humanidade. Entre pântanos e gases e efeito estufa. Entre mares ácidos e fumaça espessa. Entre telas de computadores e a frieza dos números. Entre a combalida economia e a fragilizada política.

A bomba explode nos manifestos ao redor do mundo. A bomba explode entre os gritos de protesto! E ela explode em Brasília, em Pequim, em Seul, em Paris e Nova Iorque.

Entre atentados que estarrecem e apavoram e detonam mais bombas…

A bomba explode a cada decisão equivocada, a cada eleição desacreditada, a cada história mal contada…

A bomba explode e quer explodir, mas alguns de nós, e ainda bem que assim seja, vivem a contrariar o relógio da explosão e tentam plantar o amor no meio da confusão…

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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