Crônicas

A crônica que ainda não foi escrita

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

A crônica que ainda não foi escrita seria diferente de tudo…

A crônica de um Brasil, de vários Brasis, de cores e amores, de versos gentis…

Uma crônica que pudesse, com poucas palavras, ser um sorriso ou um abraço, ou ainda um olhar terno!

Diante das coisas da vida, absurdos, tragédias e corrupção, essa crônica seria uma pausa no meio da confusão… Seria, com sinceras palavras, justamente esse sorriso acalentado, esse abraço querido, esse olhar terno esperado!

A crônica que ainda não foi escrita seria como o vento… Brisa no rosto como beijo ligeiro, matreiro.! Vento no mar, sinuoso e forte entre o ser e o estar!

Diante das impossibilidades, do descaso, da miséria, dos podres poderes não legitimados, dos poemas não gestados, das filas intermináveis e políticas públicas lastimáveis, a crônica seria um intervalo na escuridão. Seria ainda uma estrela, brilhante e grande, na imensidão.

A crônica que ainda não foi escrita seria como o tempo… Ponteiro certo de todas as horas, a hora do amor e a hora de amar, a hora do querer e do desejar, a hora do dizer e do calar…

Diante do cenário obscuro, de um país quase sem futuro, com muitos em cima do muro, a crônica seria o canto, aquele canto salvador que pode ser ouvido ao longe, como um sinal de uma frágil esperança!

Uma bandeira ainda por hastear, um sonho ainda por fazer, um país ainda a construir, um tempo ainda a se fazer, uma crônica ainda por escrever…

E esta crônica que ainda não foi escrita falaria de um lugar possível, onde homens e mulheres teriam a condição de entender o significado da palavra cidadão, onde todos viveriam a justiça, sem distinção!

E esta crônica seria, não um documento, um apelo, uma interrogação, mas, ao contrário, apenas uma comprovação daquilo a que tanto almejamos: ser uma nação!

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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