Crônicas

A era do absurdo

Fabricio Mohaupt
Escrito por Fabricio Mohaupt

A piada é um recurso humorístico que usamos no dia a dia para fazer graça e, constantemente, crítica, satirizando fatos cotidianos e, muitas vezes, políticos. Não deve, ou pelo menos não deveria, ser interpretada de forma literal, pois é preciso levar em conta que o humor utiliza o exagero e o absurdo para provocar o riso.

Vivemos, porém, um período complicado. O PT conseguiu nos deixar tão confusos que uma piada, mesmo construída com muito exagero e extrapolando o absurdo, suscita dúvidas se é fato ou chiste. Isso diz muito sobre o atual estado das coisas. Cremos que qualquer coisa ruim é possível ao passo que qualquer coisa boa é improvável. Perdemos a noção do limite do que é ou não nonsense em se tratando dos nossos políticos, sejam situação, sejam oposição.

Mais ainda, virou moda! Pois aqueles que se colocam contra o PT, bradando que defendem a moral e os bons costumes, utilizam-se das mesmas armas, como mentiras e manipulações, a acabam se tornando tão vilões quanto aqueles que antagonizam. A vilania é, assim, tão somente uma questão de perspectiva. Mesmo que usem argumentos válidos, fazem de maneira errada. Afirmam sem provar. Apenas criam bate-boca com o indigno intuito de manipular opiniões. É pouco. O pior? Estamos acostumados com esse pouco.

O que é piada? O que é verdade? O que é fato? O que é falácia? O que é manipulação? Fica difícil, hoje em dia, saber quem fala A verdade e quem faz uso de “verdades”, inventadas ou não. Isso diz tudo sobre nossa situação. Esperamos qualquer absurdo. Estamos tão confusos que não sabemos o que fazer ou a quem seguir e, assim, somos presas ainda mais fáceis.

Estou cansado de ouvir dizer que a culpa é nossa, que não sabemos votar. A culpa é nossa porque deixamos chegar onde chegou, sim. Mas não sabemos votar? Votar em quem? Não acredito mais no voto, uma vez que o sistema é viciado e corrupto. Não importa em quem você vota, o resultado é o mesmo. São todos iguais! Lulas, Fernandos, Aécios, Dilmas, Marinas, Malufs, Maias, Serras, Cabrais, Alkmins, Garotinhos, Pezões, Malafaias, Bolsonaros e tantos outros. Todos iguais, todos manipuladores. Não há direita ou esquerda, há politicagem. Como dizia Bezerra da Silva, “não sobra um, meu irmão!”. É só gritar!

Estamos presos a um sistema viciado que chamamos de Estado; que é lindo na teoria, mas, na prática, desprovido de ideologia, pois aqueles que “nos representam” preocupam-se apenas com o “vem a nós”. Ao vosso reino? Nada! Votam leis que os favorecem e nos deixam cada vez mais presos e impotentes. Jogam migalhas ao povão para comprar votos que os sustentam na mamata, enquanto a classe média sustenta essa farra. O problema é que essa classe está esfacelando, uma vez que abusaram demais de uma máquina outrora azeitada. Roubaram tanto que o dinheiro sumiu. O país hoje é classe alta, classe baixa e milhões de miseráveis.

Caminhamos a passos largos e acelerados a uma implosão social. Não há educação, não há saúde, não há segurança, não há previdência e, por conseguinte, não há futuro. A inflação começa a galopar, o desemprego cresce geometricamente, empresas estão quebrando, faculdades fechando, pessoas morrendo nos hospitais e nas ruas. E qual a solução do atual governo? Mais impostos e mais Estado. Mais? Como isso pode ser remotamente lógico? Como a causa pode ser solução?

E qual a solução? Com certeza, menos impostos e bem menos Estado. Menos Brasília e mais Brasil. Na verdade, a pergunta não é essa. Sabemos a solução, sabemos o que seria o ideal. A pergunta é: como fazer? Como fugir das amarras que os nossos legisladores meteram-nos? Parafraseando o Barão Vermelho, “declare guerra a quem finge te amar e chega de passar a mão na cabeça de quem te engana, rouba e sacaneia”. Não interessa quem votou na Dilma ou quem votou no Aécio. A merda está aí. Estamos cada vez mais atolados. Tenho a plena convicção que somente nós podemos fazer algo. Juntos. Falta-nos, porém, como povo, coragem e determinação para realmente mudarmos. Somos. afinal, os passivos do absurdo.

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Sobre o Autor

Fabricio Mohaupt

Fabricio Mohaupt

Rato de bancas de jornal, livrarias, sebos e obscuras salas de cinema. Escapista apaixonado por HQ's, livros, filmes, séries e música. Pai, marido apaixonado, carioca, torcedor do Flamengo, Maçom, Umbandista, cronista amador, roteirista aprendiz, metido a colunista, poeteiro sem métrica e de pouca rima, crítico descompromissado, futuro romancista, botequeiro (favor não confundir as sílabas) e um feliz estudante e entusiasta da vida e de psicologia, que nada sabe, mas muito quer aprender.

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