Crônicas

A FÁBULA DOS RATOS

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Era uma vez uma cidade dominada por ratos.

Nesta cidade, as coisas não funcionavam direito. Os ratos comiam tudo!

Cabos, caixas, pregos, molas, papel, enfim, uma desgraça!

No entanto, as pessoas, mesmo chateadas, reclamavam, reclamavam e mais nada!

Com o tempo, os ratos, mais ardilosos, passaram a comer outras coisas: comiam tijolos, comiam pedras, comiam ruas até!

A cidade parecia ter sobrevivido a um bombardeio! Buracos para todo lado!

No entanto, as pessoas, mesmo irritadas, resmungavam e resmungavam e mais nada!

Porém, subitamente, os ratos passaram a falar e a agir como homens!

Além de comerem muito, passaram a ler! Instruíam-se nas mais diversas áreas!

As pessoas estavam perplexas, reclamaram, mas, como de costume, nada fizeram!

Mais organizados, os ratos passaram a se reunir. Montaram partidos diversos: Partido dos Ratos Unidos. Partido Único dos Ratos. Partidos dos Ratos Abandonados. Partido dos Ratos à Esquerda. Partido dos Ratos à Direita. Partido da Coalizão do Ratos ao Centro.

Com fome e com sede e com organização, os ratos passaram a comandar a cidade!

Criaram leis, aplicaram reformas, difundiram discursos e se protegiam por conta do poder!

E comandaram tão bem que os ratos das cidades mais próximas, inspirados pela grande revolução, passaram a mandar também.

E cada vez mais cidades eram tomadas por ratos.

Dos esgotos e do campo, malhados, pretos ou brancos, de laboratório ou de estimação, foram tomando, cada qual, um espaço, tendo uma profissão.

Os ratos eram prefeitos e governadores e até presidente!

Eleição após eleição, novos ratos assumiam os vícios velhos e os velhos se revezavam numa troca de favores nunca antes vista!

Fizeram uma nova constituição! Tiraram direitos e trocaram tudo de lugar.

E então, passaram também a comer sonhos, trabalho, futuro, estradas e escolas.

A maldição dos ratos era tamanha!

As pessoas, assustadas, resmungavam e reclamavam, tentavam, em vão, fazer alguma coisa, entretanto, já era tarde para se fazer algo!

E, como se sabe, a fome dos ratos é insaciável!

Os ratos passaram a comer toda a gente. E comeram e se fartaram até que não havia mais um humano sequer!

As cidades, arrasadas, esburacadas, fétidas e abandonadas, pareciam cenário de um filme de terror!

Sem perspectivas de um novo cenário e sem mais humanos e objetos para se alimentar, os ratos passaram a brigar!

E brigavam e se machucavam até que em um determinado dia, esfomeados como sempre, passaram a comer uns aos outros continuamente!

E comeram tudo e todos até não sobrar nada e ninguém…

 

MORAL 1: A RECLAMAÇÃO POR SI SÓ NÃO TEM O EFEITO DE MUDANÇA!

MORAL 2: HÁ QUE SE TER MUITO CUIDADO COM OS RATOS, AFINAL DE CONTAS, PODEM COMER UM PAÍS INTEIRO!

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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