Crônicas

A lição da Olimpíada do Rio 2016

Francci Lunguinho
Escrito por Francci Lunguinho

Não vamos pensar que o país está melhor.

Não vamos pensar que o país saiu da crise.

Não vamos sequer assumir que o agora é um novo começo.

Vamos, apesar de tudo, dizer o quanto Paulinho da Viola nos enche de orgulho por cantar maravilhosamente bem e que, daquele seu jeito simples, encantou o mundo com a sua bela versão do Hino Nacional.

Vamos dizer que, Abel Gomes, Andrucha Waddington, Daniella Thomas, Deborah Colker e Fernando Meirelles, são uns putas profissionais e que fizeram um trabalho para calar o senso comum que anda tão demasiadamente deteriorado.

Vamos também assumir um mea-culpa e dizer que torcer contra a Olimpíada não é o melhor caminho para vencer todos os problemas políticos. Não importa o quanto falemos mal do nosso país, mas não é preciso lavar roupa suja para além das nossas fronteiras. “Os estrangeiros” não querem que a gente se dê bem, apenas querem sentar nas primeiras fileiras e esperar o Brasil se afundar. Cabe a nós dar um basta nessas acusações.

Tudo bem se você não curte a Anitta, que, aliás, ficou bem ao lado do Caetano e do Gil. Mas teve aquela multidão esplêndida aplaudindo Jorge Ben Jor com uma canção que é mundialmente conhecida. Isso você pode curtir sem preconceito ou rancor.

Vanderlei Cordeiro de Lima é um exemplo de homem do bem. Ele representou além de previsível o nosso sonho. O verdadeiro legado são as pessoas que deixarão.

É claro que hoje, após o evento, a gente tem de voltar à dura realidade de um país dividido e imerso num lamaçal de corrupção. Mas, os atletas que aqui estão não podem sofrer retaliações dessas atrocidades. Por favor, não devemos ser egoístas a esse ponto.

Não é que todos tenham de dizer que o legado da “Rio2016” será sensacional. O BRT do Rio precisa aprimorar muito para atender a uma população que carece há décadas de um transporte público qualificado. É bem provável que em breve várias obras comecem a desmoronar. Ciclovias podem cair novamente. Viadutos podem ser fechados para reformas. Asfalto vai precisar de recapeamento de tempos em tempos, como sempre foi, há dezenas de anos e em todos os Governos e de todos os partidos.

No Brasil se desmata mais do que devia. Chega a ser covardia com as nossas reservas florestais. É óbvio que parece que ninguém vai ser punido pelo desastre de Mariana. Mas, é genial a ideia de usar o evento para plantar uma semente que será um símbolo de esperança para um mundo melhor.

Não vamos mais pensar que não devemos acreditar. Eis o maior legado deste Rio 2016

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Sobre o Autor

Francci Lunguinho

Francci Lunguinho

Jornalista, radialista e Editor do portal Crônicas Cariocas.
Amante do jiu-jitsu, corridas de rua e cães. Também é editor da web rádio www.radiomatilha.com.br

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