Crônicas

A morte de Fidel e a morte de um tempo

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Morre Fidel Castro…
Para uns, visionário, revolucionário, comandante, líder e pai!
Para outros, no entanto, monstro, fera, abominável ditador e assassino!
Para mim, humano apenas…

Humanos que se tornam ícones de um tempo, para o bem ou para o mal!
Morre Fidel e morre também mais uma imagem, um símbolo do século XX. Morre também, de novo e de novo e um pouco mais de tempos em tempos, uma ideologia…
Anacronismo no século XXI?
Morre Fidel e morre Cuba embargada. Morre Fidel e morre um pouco mais um tempo…
Com suas centenas de desempregados, com seus milhares de esfomeados, Cuba era o exemplo do absurdo. Educação e saúde sempre foram o carro chefe da pequena nação.
Entretanto, a grande verdade era que seus cidadãos não tinham liberdade. Não podiam dizer ou fazer o que quisessem! Tal como na China ou na Rússia, monitoramento de pessoas, cerceamento de direitos, censura, arbitrariedades!
Ao longo das décadas, cubanos e mais cubanos fugiam da paradisíaca ilha com dois propósitos: alcançar a liberdade e buscar oportunidades.
Cuba da ditadura, Cuba da miséria, Cuba das filas, Cuba de Fidel!
Contudo…
E sempre há contudos…
A pequena ilha sempre foi uma afronta à poderosa América!
Petulância de um mísero território que, durante boa parte do século passado, desafiou um gigante, desafiou uma ideologia e pagou o preço por isso!
Cuba de enfrentamento, Cuba de guerreiros, Cuba de lutadores, esportistas, medalhistas, Cuba de Fidel!
Enfim, vilão e herói ao mesmo tempo. Pai e estranho num só momento!
O que sei é que mais um nome na história do século XX vai embora.
O que sei é que os sobreviventes olham perplexos para um século ainda mais caótico, um tempo sem tempo, um tempo de incertezas, um tempo partido de tempos partidos, um tempo de Trump e outros mais…
O que a história dirá?

Que os homens fazem e desfazem caminhos.

Que os homens interferem em tudo, unem, dividem, amam e odeiam.

Que os homens vivem o dilema entre a guerra e a paz!

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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