Crônicas

A prática dos inversos

Paulinho Vergetti
Escrito por Paulinho Vergetti

Galvanizando seus sentimentos, o homem tem visitado desejos e engendrado sonhos e sido seu próprio deus e sua loucura. Certamente que não acharia ruim se seus sonhos tornassem realidades, para que pudesse sentir o sabor do “hidromel do Olimpo”. Qualquer mortal se envaideceria ao extremo. O que sabemos mesmo sobre esse homem é que de “deus” ele nada tem, mas, apenas de Deus que não lhe deixa de ser grandiosamente tudo!

E não sei o porquê de continuarmos a ver tanta coisa errada, ilógica, sendo feita por nossos patrícios. Na maioria das vezes, os frutos amargos que colhemos são eles produtos do nosso plantio indevido, escolhas erradas de nossas sementes.

E meio a tantas coisas esdrúxulas, sabemos de mais uma e, não pasmem, veio da América rica!

Em um desses rompantes de exagero, loucura mesmo, uma milionária americana, Leona Helmsley, uma anciã com 87 anos de idade, sem pensar ou pensando equivocadamente, resolveu deixar como herança para sua cadela de estimação “Trouble” nada menos que a fortuna de 12 milhões de dólares. Achando ainda muito pouco, deserdou dois netos, registrando tudo isso em testamento cartorial.

Se dissermos que essa atitude tresloucada é um ato habitual do povo norte-americano, dado a essas extravagâncias, nada estaremos justificando acertadamente. A tradução dessa ação escandalosa vai além do entendível. O coração oferta prazeres que o próprio prazer desconhece. Somos o que fazemos e não o que sabemos fazer. Do homem fica a sua obra, má ou boa. A frivolidade de certas ações humanas leva-nos a abissais paragens do comportamento que tudo dizem de nós mesmos.

Se a gente olhar a perfeita harmonia da natureza com ela própria, entenderemos por que ao sol diário o acompanha a lua e vice-versa. A chuva molha a terra, enche os rios que correm para o mar e assim tem sido desde os primórdios da civilização humana. Quando aparecemos na face da terra, já havia a água, o ar, o fogo, a proteína. Imaginem os nossos dias escuros e desluarados e nossas noites alvas, entrando pelas frechas das janelas dos nossos quartos. O que seria dos nossos sonhos? Se conseguíssemos sonhar, é claro! Porque dormir à claridade não é para a maioria.

Eu me lembrei agora do esforço do atual governo Lula de pôr para frente o PAC. Em meus solilóquios, tenho me perguntado: por que esse governo não inicia esse projeto de realidade desenvolvimentista com as obras que estão aí abandonadas? Limparia logo o passado vergonhoso dos outros governantes e, só depois de arrumada a casa, pensaria na criação de novas obras distintas daquelas. Mas, como em política o visto nunca é o imaginável, assim o PAC se tartaruga e caminha como lhe são estruturalmente seus passos nascedouros.

A economia da República bem que se organizaria se limpássemos os entulhos de sua prática passada deixados em suas obras, desrespeitosamente abandonados por seus governantes. Limpar os entulhos de nossa história de prática política trar-nos-ia grandes frutos novos e bons. E eu pergunto: por que, Presidente, não se começa tudo do início? É bom para o governo e melhor para o povo. Desenhar obras promocionais dá prejuízo até às nossas consciências.

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