Crônicas

A SENSAÇÃO DE SEGURANÇA

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Quase cinco mil homens da Força Nacional chegaram ao Rio.

Sensação de segurança!

Fardas, armamento e presença de soldados.

Sensação de segurança!

Esforços conjuntos de todos os lados, carros, caminhões, Helicópteros e mais…

Sensação de segurança!

Blindados! Blindados demonstram força, impõem respeito!

Sensação de segurança!

No entanto, a própria “sensação de segurança” não é mais que uma ilusão. Uma grande mentira sobre o que, de fato, estamos vivendo.

Sob o domínio do medo, cariocas e fluminenses trabalham e vão vivendo as suas vidas.

Sob o domínio do medo, muitos se abaixam nas avenidas, muitos se jogam no chão nos tiroteios, escolas ficam sem aula boa parte do ano…

Sob o domínio do medo, o crime, que não é organizado, de acordo com as autoridades, “organiza o ritmo de vida da cidade: horários e caminhos!

A presença de tropa federal na cidade, ao contrário do que se diz, não nos dá segurança, mas atesta que um sistema está falido, quebrado, destroçado.

Não podemos achar normal que tropas do exército e blindados sejam imagens de segurança.

É preciso pensar que, se dependemos de blindados para conseguirmos a “segurança” ou a sua sensação, é porque o caos está decretado. Caos oficializado e de direito!

O problema da violência e do tráfico de drogas no Rio possui bastante tempo. Inúmeros projetos e programas foram realizados, contudo, a corrupção nossa de cada dia sempre minou boas ideias, burocratizou determinadas medidas ou, simplesmente, não permitiu que coisas boas saíssem do papel.

Hoje, o Rio é cenário de mais horror, mais violência e mais truculência!

Hoje, a realidade do Rio é a realidade de zonas de conflito espalhadas no mundo!

Hoje, vive-se uma guerra! Uma guerra sangrenta em que há a necessidade de se colocar tropas federais e blindados para amenizar a situação.

Não temos sensação de segurança!

Temos o descrédito e o fim do poço a que chegamos: um estado falido e desacreditado, a incompetência dos poderes, o sucateamento da segurança, mas, sobretudo, temos a mesma e fatídica indiferença em relação aos assuntos da educação.

Sob o domínio do medo, o Rio vai sobrevivendo um dia por vez…

Sob o domínio da corrupção, o Brasil tenta passar a sensação de estarmos em uma democracia…

 

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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