Crônicas

Acode nós, minha gente, Renan provou que tem os “calheiros roxos”!

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

O estilo é o salário. Mesmo sabendo que o ideal, esse conseguido pelo bom Millôr Fernandes, segundo o próprio e outros que acredito seguirem o que ele descobriu primeiro, é não ter estilo. Difícil. Entre esses caras que tem estilo por aqui e bem poderia ter esse reconhecido em alhures, está Sebastião Lucena, o Tião Lucena, o Tião Medonho e outros apelidos, todos carinhosos, carregados por esse filho de Princesa Isabel, terra conhecida como berço do “coronel” Jose Pereira e Lima, o Zé Pereira, por onde anda e escreve.

O blog de Tião Lucena é um blog lido, copiado e discutido. Isto pelo menos por aqui, Mas para não ficar nesse quem é Tião Lucena e o que o blog dele representa no “Mundo dos blogs”, consultei o Dr Google, o Freud do nossos tempos, esse que tudo ou quase tudo explica, e encontrei por lá: na classificação do mundo é o 123.162, com visitantes diários 3.552 e Classificação por visitantes dias 94.988. Pronto. Agora vamos ao que interessa, pelo menos para este Malabarista de Palavras, neste espaço carioca.

Tião tem dias que se sente como quem acabou de chegar e vai viver o resto da vida. Sentiram? Isso mesmo.  Um tanto diferente daquele sentimento “Roda Viva” do Chico Buarque, aquele famoso do “quem partiu ou morreu”.  E como veio o Tião nesse dia?  Sem papas e bispos e padres na língua, assim como o nosso Totonho, sabendo da notícia de que o Super-Homem estava na cadeira de rodas, se arvorou a salvador do mundo.

Pois bem. Não sou isso nem Tião é aquilo. Mas o filho de Miguel Fotógrafo não se conteve e pediu a ajuda deste Malabarista de palavras, quando sentiu que puxara a descarga no pais e tudo que deveria por ela descer não foi descido, e o cheiro se espalhou por todo os verde-amarelo.  Desabafou:  e não tem mosquito transmissor da dengue e chikungunya (eita palavrão feio) e a zika que dê jeito.

“Acode nos, 1berto!”.

Foi assim que Tião Lucena, um sujeito tacanho que já escreveu um montão de livros e passou por todos os jornais da minha querida Província das Acácias, sem S (leia-se sem “exceção”), ocupando neles os mais diversos setores, colunista e redator e editor e outros e outros e conhecedor da história do Território Livre de Princesa como a mão espalmada e cheia de curvas deste mundo.

“Acode nos, 1betro!”.

Não estranhem o “acode nós”.  Nascido no Sertão da minha Parahyba, esse – o sertão –  que nunca deixou de carregar nos gestos e palavras, não ficaria bem pra ele falar ou escrever “coadjuva nós”. Tem mais. Com todo o respeito aos coadjuvantes desta vida, mas “acode” é mais a gente. Lembram do ariano Suassuna? “Eu não troco o meu oxente, pelo O.K de ninguém”? É por aí.

Tião, então (gostei), logo depois do pedido, desse “acode” que vocês acabaram de ler, foi incisivo (gostei de novo):

” Alguém sabe me informar onde se meteu o 1berto de Almeida? Preciso dele aqui com urgência para comentar, com suas letras impecáveis, o cabaré chamado Brasil. Eu não tenho capacidade para tanto, só 1berto tem, ele dá nó em pingo d`água, é um malabarista de palavras.

E só um malabarista de palavras pode descrever o quadro do Brasil, ruim já faz um tempinho, mas piorado a partir de ontem.

Tá todo mundo doido. Juiz bota os pés pelas mãos, invade o quintal alheio, o invadido não obedece a ordem judicial, diz que não cumpre e pronto, fica por isso mesmo, um ministro que não gostou do feito do colega chama-o de maluco e de inimputável e até sugere o seu impeachment, finalmente o país virou uma Torre de Babel, com todo mundo falando e ninguém se entendendo.

Por isso peço ajuda a 1berto de Almeida. Manda de lá, malabarista, as tuas considerações finais. Se alguma dificuldade aparecer, pede assessoria a Aldo Lopes, neto de Ronco Grosso, recém chegado do Japão e doido por uma briga de faca ou de foice. Caso Aldo falhe ou não possa atender, vá ao Castelo Branco que Paulo Mariano, o guerrilheiro, está num pé de noutro para entrar numa guerra”.

Pronto! Lascou!  Não escrevi nem disse “lascou” no momento. Por isso faço agora.  Eu Salvador do Mundo? Se fiquei sem palavras? nem preciso dizer. Faz tempo que não me sirvo dela para falar do meu silêncio, esse que carrego silencioso por onde ando. Dizer o quê? comentar o quê? Tá tudo ai e sem considerações gerais a fazer.

 Ontem mesmo, só um exemplo para terminar estas mal-traçadas, o Renan Calheiros, esse que agora pode sair dizendo que tem os “calheiros roxos”, mostrou quem é isso mesmo com “ph” de Pharmacia.   Nem quero falar. Nem escrever. Puxar a descarga, Tião?  Também não, Pois, assim como a “Minas” de Drummond, a cordinha da descarga não existe mais. Inútil! A podridão é uma só.  Deixo, pois, por fim, esse que não é um bom começo, que o poeta popular Miguezin de Princesa fale por mim, “acuda a nós”:

O Supremo…

“Recomendou a Renan:
Pode ficar no Senado,
Pegando mulher bonita,
Vendendo e comprando gado,
Até quando se cansar
Ou tiver se aposentado.

No Senado pode tudo:
Réu que o juiz processou,
Matador de aluguel,
Rapariga em corredor,
Porém no Executivo
Só vai gente de pudor”

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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