Crônicas

Ah, Marina, se pintou sujeira…

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Não votei em Marina Silva. Poderia ter votado. Mas, por favor, não me perguntem o porquê. Votei em Lula. Uma e duas e três e outras vezes que, se candidato ele tivesse sido, teria votado. Não voto mais.

Votei no Lula que conheci num barzinho do centro da minha cidade. Faz tempo. Nem sei se os dez dedos na época ele tinha. Mas o Lula que nesse barzinho conheci, ressalte-se, nada tem desse que desconheço hoje. Se perdi o meu voto? Não. Quem perdeu o meu voto foi Lula.

Marina Silva. Lembro-me bem que essa apareceu assim como quem nada queria, e terminou não querendo nada mesmo. Sentia que no final daquela campanha, Marina não era mais a Marina que um dia apareceu como uma gota de honradez no meio de um mar de desonestos.

A Marina candidata estava sendo levada. Era uma Marina vai com as outras. Não tinha nada daquela mulher sinônimo de ética, desenvolvimento sustentável (aguardem) e recursos naturais. Achava bonito. Marina não. Esse reconhecimento. A defensora da nossa maior “riqueza verde” e “pulmão do mundo” e outras besteiras mais. Bonito, não?

Hoje derrotada e incapaz de dar a volta por cima, Marina é apontada como parte da quadrilha que assaltou e continua assaltando o país. Descobriram que Marina Silva, essa mesma que falava e vivia falando em sustentabilidade, agora desmascarada, era mesmo sustentada pela OAS e Odebrecht.

Era assim, fosse com $notas verdes, lembrando o verde de que continua dizendo gostar, ou caindo no $real, falava de “sustentabilidade” e era sustentada pela OAS e Odebrecht. Não foi ela, disseram, assim mesmo como muitos corruptos também dizem, quem pediu a “propina” para irrigar sua – dela – campanha. Foi o Guilherme que, Leal a sua falta de princípios, um dos donos da Natura (coincidência, não? “Natura”. Hummmm.) – que era candidato a vice- presidente dela.

Toda essa maracutaia foi feita sob os olhares do Verde Alfredo Sirkis. Pausa. Não falarei sobre o Sirkis, velho e conhecido autor de “Os Carbonários”. Não falarei porque tá tudo no Dr. Google. O Freud dos nossos tempos, esse que tudo explica. É só fazer uma consulta sem horário marcado.

Tudo verdade. Se eu sinto? Se for mesmo, vou sentir uma porrada. Mas, se não bastasse, assim como faz o presidente interino – não demorará muito – Michel Temer, Marina não se defende do que está sendo acusada. Os acusadores. Esses são a sua meta.  Desclassificá-lo. Por fim, irritada com a acusação e sem muito jeito para se defender, contra-ataca Marina:

– Se as pessoas soubessem o que aconteceu nas Eleições de 2014, ficariam enojadas!

Eu estou Marina, confesso que estou. E quase nada dessa sujeira eu sei. Agora tu, Marina, fazes como os donos da Friboi fizeram, desembuchas, dás nomes aos bois. Ah, Marina, se pintou sujeira…

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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