Crônicas

Antes que algum aventureiro lance mão…

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Hoje não acordei tão bem como acontece todos os dias. Tudo bem. Todos os dias não. Mas outros dias amanheço melhor do que nesse dia de hoje. O motivo? Achei que estava vivendo outro pesadelo.  Acreditem. A notícia que me fez sentir assim? Respondo: o exército saiu da caserna e foi ás ruas.

A minha cabeça, lida/vista a notícia, essa que vivia em estado de graça sem nunca sair do meu, esse que costumo, chamar de República independente de Jaguaribe, aqui mesmo na capital da Parahyba, ficou a balançar quase solta nesses ombros que nunca ousaram carregar o mundo. Ai lascou! Lembrei-me então que em tempos outros também aconteceu a mesma coisa: os soldados na rua.

Eu juro pra vocês que não esperava mais assistir a esse abuso da minha liberdade de ir e vir, e escrever sobre essa ida e volta. Então era tudo mentira? Lia e me refestelava quando gritavam – sempre no grito – que vivíamos no melhor e mais seguro regime democrático do mundo. Tínhamos segurança, o poder emanava do povo e liberdade de imprensa para dar e vender. Tudo arrumado como se nunca antes na sua – do Brasil – história alguém tivesse metido a mão no que não lhe pertencia.

Agora, mais de meio século depois daquele golpe que muitos ainda insistem em chamar de “revolução”, vem a lembrança daqueles tempos em que um tremor me sacudia as muitas vezes que tinha que ir ao “doutor” para mostrar uma letrinha que fiz para a música de um amigo. Tinha que ir perguntar ao “doutor” se o texto que escrevi para aquele show “tava legal”, ou ele tinha alguma coisa a acrescentar e fazer comigo uma parceria imposta pela força do mosquetão.

O mosquetão? Ah, lembro-me bem. Era um que eu carregava nesse ombro que nunca carregou o mundo. Nem quis. Andava com ele de um lado para outro, em frente de um quartel, sempre em alerta, para que “terroristas” – assim eram chamados os que não estavam com eles -, para defender desses a Pátria amada, salve…  essa mais que nunca precisa que a salvemos!

Se não vou “desistir do Brasil”, nunca, tivesse este Malabarista de Palavra mais dinheiro e menos amor por esta terra que lhe pariu, falando aqui da minha República Independente de Jaguaribe, como assim costumo chamar o bairro em que nasci, há muito estaria a caminho da melhor saída – a minha – para a atual situação: o aeroporto Castro Pinto. Se não, considerando ser esse muito pequeno para tão longo voo que daria, o mais próximo da minha República.

A esperança, com todas as datas vênias possíveis pedidas aos esperançosos, faz tempo que começou a perder para o medo. Sem esperança e com medo. Esse medo de que esteja com o passo errado no meio desse batalhão de idiotas que saem às ruas confundindo “Diretas já” com “Direita já”.

Se o patriotismo era o único refúgio de canalhas como esses que estão por aí enchendo as burras com o nosso dinheiro e vendendo-se por trinta moedas que não dão sequer pra comprar um pedaço de corda onde enforcados deveriam ser, patriotismo esse que deixou um dia o Samuel Johnson puto com esses, os Patriotas, agora, com um povo assombrado pela força-verde (nada a ver com o pobre e fraco Hulk) que sai às ruas para, segundo eles, esse lideres, defender os interesses da nação, esse refugio fez morada no Congresso Nacional.

Mais que nunca está na hora de alguém acender a luz no fim do túnel e deixar mais claro o que eles desejam. Sentiram?! Isso mesmo: amanheci com o pé esquerdo e todo o corpo.

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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