Crônicas

Apesar de tudo

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Apesar de tudo, insistimos na graça e na leveza e no amor…

Apesar da guerra na Síria e dos refugiados, há pessoas que vivem e têm esperança. Há pessoas que se solidarizam com a dor do outro e tornam menos pesada a caminhada humana nesses tempos…

Apesar da saída de cena de Umberto Eco e de tantos outros grandes observadores deste século e do anterior, há ainda pessoas que pensam e escrevem e sentem de forma aguda a estranheza de viver nesse mundo…

Apesar de tudo e quando parece não haver mais nada, há gente que sorri e que diz bom dia e que dá e pede licença e gera gentileza atrás de gentileza!

Apesar dos malditos impostos e da canalhice política e dos politicanalhas, da selva de Cunhas e Dilmas, do lixo e da podridão da capital, há ainda gente que batalha, que insiste, que briga por direitos e que diz e que pensa o país!

Apesar de tudo, insistimos em andar e respirar e sonhar a vida, mesmo pesada e tributada e sobretaxada e inflacionada…

Apesar da violência cada vez mais normal, das bestas e das feras soltas em todo o lugar, há ainda gente que acredita na vida, que acredita no outro, que acredita que vale a pena acreditar…

Apesar de tudo e quando parece não haver mais nada, insistimos. E a insistência nos impulsiona a acreditar e a acreditar e a seguir e a persistir…

Apesar de Trump e de outros idiotas salvadores. Apesar dos Temeres, apesar dos Calheiros, de pseudojusticeiros e régios colaboradores, a pátria, através de aparelhos, respira sem doutores! Apesar da calamidade, dos horrores nos estados e em cada cidade, há ainda o sol e o amanhã.

Mas dirão alguns: que amanhã e que sol?

Apesar da descrença de muitos, da inércia de outros, do pouco caso de alguns, do juízo de tantos mais, a vida segue e mais um ano acaba para outro começar e para recomeçarmos mais uma vez.

Algumas pessoas mudam tudo. Outras pessoas mudam pouco. No entanto, há aquelas que não mudam nada, uma vírgula sequer…

E vale a pena? E o que vale a pena?

Tudo parece perdido, confuso, vazio, sem cor e sem sentido.

E pra que lutar?

Apesar disso tudo e apesar dos bananas e das bananas na Terra Brasilis, há a voz e a palavra e a crítica, há o poeta que pulsa e grita…

Apesar de toda essa bagunça e apesar de todo o mal, há os que fazem valer cada centavo e cada segundo de suas existências. E fazem sem receber, mas com excelência!

Apesar de muitas vezes achar que não há mais nada a fazer, sempre encontro alguém que me força a repensar o que escrever.

Quando encontro pessoas assim, agradeço pelo fato de simplesmente existirem. Através dessas pessoas, mesmo que sob vergonha ou timidez, sonhamos e insistimos, apesar de tudo…

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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