Crônicas

Aquela pequena faísca de fogo celestial

Adalberto dos Santos

Hoje não queira trabalhar mesmo. Mas nem que a vaca falasse bem do presidente. Nem que uma chuva de dinheiro caísse lá em casa. Lá no fundo do meu quintal. Sem medir o volume das notas, o peso delas. Qualquer coisa assim. Vi que o operário que subia as paredes desse edifício aí em frente não veio. O supermercado fechou. A farmácia só abre se urgência. E eu cá trabalharia?

Não. É dia de dormir as horas que não posso quando os dias são todos sem promessas. Quando o pão é caro e o perdão difícil de se dar. Quando essa gente honesta que tem tão pouco acorda cedo e vai simbora com o olho brilhando de esperança. E ter um futuro melhor para todos é só no que pensa. Todos os de casa, os que dividem a mesa posta no melhor que eles puderam ter. Todos da malha urbana a que pertence e que se quer semelhante.

É dia do trabalhador. E eu não quero lembrar para esquecer as misérias que a história conta até hoje. Mas que trabalhadores unidos tudo podem. E que possam sempre. E que possam com a cabeça voltada para a clareza da mente, porque sem ela nada vale.

Trabalhador amigo, hoje muito cedo li escrito em tua camisa de domingo: “Trabalhe para manter viva em seu peito aquela pequena faísca de fogo celestial, chamada consciência.”

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Sobre o Autor

Adalberto dos Santos

Adalberto dos Santos

Cajazeirense, vive em Fortaleza, é ficcionista e cronista.

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