Crônicas

Aquele abraço

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

AQUELE ABRAÇO!!!

O Rio de Janeiro continua lindo! O Rio de Janeiro fevereiro e março…

Mas não é o sol, não é a praia, não é morena boa que sabe sambar.

Da sandália de prata, já roubada e repassada, também não se trata…

Tampouco o tiroteio, a favelização, a desigualdade ou a construção irregular!

Acho que Ary Barroso e Gilberto Gil não reconheceriam mais o lugar que inspirou tantas canções!

Tristemente, falo mais uma vez da velha corrupção! Considerações!

O Rio de Janeiro está falido! O Rio de Janeiro pobre e quebrado!

Alô! Alô! Velho guerreiro quem é o culpado?

Alô! Alô Terezinha! Sou um palhaço?

Culpam o gasto com a folha salarial dos servidores.

Culpam a queda do barril de petróleo.

Culpam a diminuição dos royalties.

Mas o culpado mesmo é a irresponsabilidade! A corrupção sem idade!

E é a irresponsabilidade que tem levado a Terra Brasilis ao caos geral, assim como ocorre em solo fluminense.

A farra das isenções fiscais, durante décadas, levou ao cenário atual. Juntamente à já famigerada politicalha: negócios escusos, jeitinho, obtusas licitações, enfim, uma falta de respeito com o dinheiro público, com o bem comum.

O Rio de Janeiro é um dos estados mais caros da federação. A alta carga tributária brasileira encontra no Rio o exemplo perfeito da perversidade: tira-se muito do contribuinte e oferece-se uma ninharia, uma porcaria, um quase nada!

Vistoria, aluguel, IPVA, IPTU, ICMS e toda sorte de letras e siglas que se possa imaginar! Aqui, no Rio de Janeiro, é mais caro que qualquer lugar!

E esta dinheirama toda onde está?

A resposta é bastante óbvia, mas este cronista prefere não comentar!

A irritação é tamanha… Dá vontade de se mudar!

Somos tratados como idiotas, como burros, como palhaços!

E me sinto como palhaço toda vez que pago alguma coisa e sei que o valor real é muito menor do que o estipulado.

E me sinto violentado toda vez que pago os tributos da nova Coroa e continuo vendo hospitais e escolas ruindo, aos pedaços!

A culpa não é da folha dos servidores. Os pequenos funcionários do estado, somados, não chegam nem perto do estrago que os inúmeros cargos comissionados e toda a gama de privilégios que a politicalha não abre mão de jeito algum custam aos cofres públicos! Valores estratosféricos! Valores monstruosos!

A culpa não é da queda do barril de petróleo. Um planejamento sério e uma administração zelosa se preocupariam e se preparariam para momentos adversos. Não houve nem cuidado nem preparação!

A culpa não é da diminuição dos royalties! Houve discussão, houve manifestação, mas, como sempre, não houve planejamento nem preparação. Simplesmente, quando aconteceu, o governo esperneou, se sentiu injustiçado, no entanto, já estava com o orçamento comprometido! E, vale ressaltar, todo o governo, todos os governos (estado e municípios) sabiam o que estava para acontecer!

O que me deixa indignado é que querem colocar a culpa em nós!

Não fui irresponsável com as contas do estado!

A Coroa, mais uma vez, decide e bate o martelo, deixando milhões de endividados e desesperados!

Uma pena ver jovens que não terão futuro!

Uma pena ver mais gerações perdidas!

Uma pena ver o Rio como um farrapo, como um espantalho…

Um absurdo ver tantos fluminenses aposentados sem dinheiro para comer, mendigando uma solução.

E a solução, como de costume, é “cortar na carne” dos outros. Aumenta mais imposto! Reduz salários!

Privilégios? Nem pensar!

O Rio já deixou de ser lindo há mais de três décadas!

Alô! Alô! Velho guerreiro, somos palhaços!

Alô! Alô Terezinha, o que é que eu faço?

O Rio já me deu o calote…

Aquele abraço!!

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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