Crônicas

As 7 Palavras de Cristo na Cruz

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

A pergunta foi direta como um chute do infalível Bruce Lee em seus melhores dias: por que as últimas 7 palavras de Cristo na cruz? E o poeta, sem querer fazer poesia, … respondeu na sua forma sertaneja de ser: “tudo a ver com a minha formação religiosa. As últimas palavras – ou frases – de Cristo na cruz são ricas para quem deseja pensar sobre as mesmas ou comentar. Cada uma, como todos podem ver, dar uma maravilhosa tese para os estudiosos do assunto. Sete… Acho o número 7 cabalístico por natureza. É um número religioso, representa o triunfo do espírito sobre a matéria”.

Mas, afinal, por que “sertaneja”? Simples. O poeta e escritor e dramaturgo premiado no Concurso Nacional Universitário de Peças Teatrais, promovido pelo Serviço Nacional de Teatro do Rio de Janeiro, com a peça “A Cruz da Menina”, nasceu na cidade de Patos, distante pouco mais d 300 km da capital da Parahyba, na mesorregião do Sertão Paraibano.

Mas, como dizia, a pergunta não poderia ficar parada no ar. O título um tanto estranho, mas bem escolhido como os títulos de um José Cândido de Carvalho, “olha pro céu, Frederico” e “Se eu morrer, telefone para o céu”, entre outros, vocês sabem que assim como eu não era poeta, é esse mesmo: “As 7 palavras de Cristo na Cruz”

O Livro, porém, pelo fato de o poeta escolher o soneto para poetar no universo de sua religião, a católica, essa forma de poesia que até parece fácil, dois quartetos e dois tercetos, não se limita apenas ao “tema religioso”. Outros poemas, todos na forma de soneto, nele dispostos, também conservam a mesma técnica e a capacidade poética de encontrar a melhor rima para e a palavra exata para o poema.

Os sonetos dispostos, intitulados de Gólgotas, enumerados de um a sete, pois, afinal, não fosse assim o título não se justificaria, obedecem regiamente a ordem das palavras proferias pelo cristo na Cruz, onde, por exemplo, mesmo sabendo-se Cristo e inocente perdoava aqueles que o crucificavam. Lembramos, porém, que a ordem das frases pelo Cristo proferida nos sonetos do poeta, variam de acordo com as quem escreveu. No caso do poeta Jose Mota Victor, os sonetos seguem o que escrevera o evangelista Lucas.

“… Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem!”.

Era a misericórdia de Deus aos que o mataram.

Os versos são do soneto “gólgota” primeiro, inspirados no momento em que o Cristo perdoava a ignorância dos que o crucificavam. Sabia o filho de Deus, tinha certeza que eles, os soldados romanos, não estavam sabendo o que faziam naquele momento. E assim, ratificando o que fora pelo mesmo dito em outro momento, segundo, claro, a Bíblia, perdoava os seus inimigos, dava-lhes o outro lado da face para ser esbofeteado.

E assim o poeta, comprovadamente de origem religiosa, católica por tradição, assim como este malabarista de palavras, inspirado nas últimas palavras de Jesus na cruz, segue mostrando que fazer Sonetos, assim como dissera um dia o Noel Rosa a respeito do samba, não se aprende no colégio

O poeta José Mota Victor, sabe e domina a técnica do soneto como poucos. No soneto “Morfologia do Soneto”, por exemplo, esse também presente no livro, ele deixa claro “Que no soneto e mais que a ode/ Que é poema de tamanho irregular/ No soneto o verso quer aprisionar/O poeta, que esperneia como pode”.

E sai desfilando poética e harmoniosamente o conceito por todos conhecidos desse que vem a ser um soneto petrarquiano.

Em seguida, aproveita os tercetos, mostrando o domínio que os bons poetas tem dos versos que escrevem, para concluir:

“Os dois quartetos e os dois tercetos
São as belezas formais do Soneto
Os quartetos são para exposição…

O núcleo é no primeiro terceto,
No seguinte se tem o desfecho
E do poeta requer inspiração…

O Livro “As 7 palavras de Cristo na cruz” tem o seu forte nos sonetos inspirados por elas, isto é, nas últimas sete palavras do filho de Deus na cruz. São essas, “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem; Em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no paraíso!; Mulher ai esta o teu filho!; Deus meu, deus meu, por que me abandonaste?; Tenho sede!; Está consumado. E Pai, em tuas mãos entregam o meu espírito!”.

Essas formam o “núcleo” do livro. Outros sonetos, porém, inspirados nas histórias e lembranças do poeta patoense, fazem parte. Um livro inspirado de um poeta que sabe o que pretende dizer e, poeticamente, diz muito bem o que sabe.

As 7 Palavras de Cristo na Cruz
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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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