Crônicas

As paredes brancas eram o vazio dentro de mim…

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

por Humberto de Almeida*

Vocês sabem. Ou não sabem. Nenhuma preocupação. Mas hoje acordei “mais vivo do que nunca”. Dizer o quê? Pedir como aquele compositor popular que se esta vida é um desmantelo me mate “que eu sou muito vivo?” Não. Mas confesso que de início desconfiei que não estava vivo. Silêncio. Um silêncio de tudo o que restou do silêncio alheio. O meu, porém, era maior. Enorme! Mas dessa vez ele não fez barulho.

As paredes brancas me levavam a um vazio sem tamanho. Estava cheio dele. Confesso. Nesses momentos o vazio me enche. Em outros também.

Vai ser rápido. Não vai sentir nada. Só uma furadinha de nada. Se tudo der errado, como as vezes acontece, ninguém vai sentir a sua falta. Pausa. Nenhuma preocupação quanto a isso. Sentia. Não falei. Não dava mais para falar. A sensação era de que estava voando. Fiz das minhas omoplatas asas. Assim como acontecera um dia com o poeta Sérgio de Castro Pinto.

Acordo! Acordei nesta quinta-feira molhada sentindo falta de mim. Estou vivo ainda? Desconfiei da pergunta. Ora, se estava desconfiado era por que estava vivo. Acreditei. Nenhum toque do insuportável celular? Nenhuma recado no whatsapp? Nenhum… silêncio compartilhado. Tinha razão: ninguém sentiria a minha falta. E mesmo que alguém chamasse, agora, não responderia presente.

Sei não. Talvez mais tarde descobrirei que estou vivo apenas por essa desconfiança. Um recado… lembrou-me o Gonzaguinha que está mais vivo do que nunca: “Se me der um beijo, eu gosto/Se me der um tapa, eu brigo/Se me der um grito, não calo/ Se mandar calar, mais eu falo…

Deus meu! Parece que estou vivo! Ainda!

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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