Crônicas

Crônica de desabafo

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Infelizmente, a minha crônica não pode falar do sol, do tempo ou do mar. Não pode falar dos casais que se olham sem que nenhum barulho urbano os perturbe. Não posso falar da menina que brinca com o cachorro na praça ao lado. Não posso.

E este cronista não pode escrever tentando fazer da crônica uma poesia em prosa metida a besta. Não há rima. Não há cor. Não há outro assunto.

Ainda preciso falar do meu país.

E tenho vergonha de falar sobre o meu país.

As vezes sinto vergonha de ser brasileiro.

E eu não posso me calar quando vejo um país se dissolvendo: educação medíocre, segurança nenhuma e saúde caótica.

Há muito tempo a corrupção corrói as entranhas da dita democracia tupiniquim. Há muito tempo ouvimos falar de escândalos, de troca de favores, do famoso “toma lá da cá”, do estúpido jeitinho e da “maracutaia”.

Um dia a fonte secaria. Um dia tudo iria para o espaço. Um dia, como se diz popularmente, a porca torce o rabo. E esse dia chegou. Nunca vi o país de maneira tão triste e absurda! Desmandos de todos os lugares (e aqui vai uma observação: não é questão de partido ou de bandeira). Prefeituras de todos os cantos do Brasil aparecem em reportagens da tevê por conta da corrupção. É assombroso!

Impostos não param e nunca chegam. Nunca é o bastante. Nunca é o suficiente! Pelo tempo e pela carga tributária, educação, saúde e segurança deveriam ser referência! E cada ano que passa estão piores. Como se fosse possível ficar pior. No entanto, no Brasil, sempre pode ficar pior! E fica a cada taxa abusiva, a cada imposto abusivo, a cada cobrança abusiva… Estados quebrados, salários atrasados ou não pagos, hospitais fechados, mas obras monumentais para as olimpíadas não param! Depois dos jogos, assim como depois da copa, “verdades” são descobertas e ficamos perplexos diante das notícias!

Peço perdão aos leitores pelo azedume e pela, de certa maneira, amargura da escrita. Contudo, a crônica costumeira fica impossibilitada em razão de tamanha indignação!

Mas eu continuo acreditando em sonhos!

E sonho um país decente em que toda a gente seja feliz, que seja terra boa para boa semente como o poeta diz.

Sonho com um país diferente em que o justo seja suficiente para viver.

Sonho com a concretização dos dizeres “ordem e progresso” de nossa bonita bandeira. Que não sejam palavras apenas… que sejam nossa cara, nossa identidade, nosso sangue, nosso chão!

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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