Crônicas

Crônica e Poesia

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Queria não fazer poesia em forma de crônica, mas as palavras vão saindo e saindo e ordenando, mesmo nos limites dos parágrafos. A cadência dos versos, a melodia dos versos prevalece.

Mas a crônica é um pouco poesia também! Quando o nada, o quase vazio do tempo parado, nos impressiona. Bicicletas que passam. Meninos que jogam. A crônica é a realidade. E realidade não é poesia? Quando olhamos a rua e os carros e o movimento da vida. Quando escutamos o caminhão da Comlurb passando devagar com aqueles homens de uniforme laranja ou, então, quando vemos os sonolentos trabalhadores que saíram de bairros tão distantes para enfrentar mais um dia difícil, mais uma batalha pelo pão. A crônica é um pouco disso. O olhar sobre um pequeno mundo. Tirar do óbvio, subtrair do comum a matéria, o dizer do cronista.

A crônica é um pouco do blá blá blá. A crônica é um pouco do irritadiço: palavras fortes e ásperas contra tudo e contra todos (principalmente o governo)! A crônica é, sobretudo, um texto mais livre e mais solto. Um texto inquieto. Um texto polêmico. Um texto engraçado. Um pretexto. Por isso mesmo, o poeta exige o seu lugar.

Casas, caras, bocas e escuridão. Caminhos e descaminhos, coração. Bala no peito: terror no asfalto. Flor e beijo: palco e aplauso. E a crônica sobrevive a tudo: escândalos, chororô, dívidas, desilusão, pacotes e inflação. E o cronista fica atento a tudo: Cunha, Dilma e nova eleição.

Assim é: voar com os pés no chão, dormir com o olho aberto, descobrir e desconfiar… A crônica é o espaço onde o dizer das coisas pode ser construído a partir da brisa, dos sonhos ou dos dólares nas cuecas.

Viva a crônica!

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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