Crônicas

Depoimento #3. Elle

Fabricio Mohaupt
Escrito por Fabricio Mohaupt

Nasci hah pouco tempo, pouco mais que dezessete anos, mas minha vida eh mais movimentada que qualquer seriado norte-americano. Tipo assim, pode parecer que, como sou novinha, ainda naum vivi nada, mas naum eh por aih, sakas? Meu nome eh Danielle, mas todos me chamam de Elle. Eu sei que eh comum chamarem as Danielles ou Danielas de Dani, mas axo que perceberam desde novinha que eu naum era comum.

Sempre fui vaidosa. Nem sempre usei o cabelo pintado de rosa, mas sempre gostei de me enfeitar. Gosto de batons, brincos, colares, cordões, pulseiras e piercings. Naum gosto de dark, nada gohtico. Gosto de cores vivas, de alegria. Adoro a vida, estar viva e adoro viver. Pode parecer repetitivo, mas, se pensar bem, saum coisas diferentes.

Dei muito trabalho aos meus pais. Tipo assim, ainda dou, mas, desde que fui morar sozinha, muito menos. Soh pra ter uma idehia, e naum eh kaô, aos oito anos chegava chapada do colehgio, embora naum soubesse ao certo do quê. Hoje, eu imagino, mas, na ehpoca, naum sabia do que se tratava. Alguns colegas misturavam um pozinho no meio do suco na hora do intervalo e todos tomavam. Que coisa! Era muito bom aquilo. O problema eh que teve uma vez que tomei demais o tal suco e mal conseguia parar em peh, tudo parecia muito longe e trêmulo, minhas pernas pareciam naum querer parar de se enroscar. Aih, fera, minha mãe me trocou de escola e o problema parecia ter se resolvido.

Aos doze anos, meu primeiro namorado, meu primeiro amor. Minha primeira decepção tambehm. Ele foi o primeiro em muitas coisas e foi, tipo assim, especial. Naum rolou sexo, foi tudo muito puro e inocente. Mas foi a relaçaum que mais me marcou. Terminamos porque ele disse que naum me amava. Entrei em parafuso. Mas, quatro anos depois, estava mais que recuperada e jah tinha beijado muito. Embora, ainda hoje, sinta que o Jeff eh o amor da minha vida.

Aos dezesseis, comecei a trabalhar, como recepcionista, numa auto-escola. Foi lah que conheci o homem com o qual perdi minha virgindade. Ele era bem mais velho, tipo assim, uns dezoito anos. Ele era instrutor. No inihcio, tudo naum passava de uma brincadeira. Olhares, sorrisos, apertos de maum. Ateh que numa certa noite fiquei ateh mais tarde na escola trabalhando em um cenahrio pro nosso festival de dança. Jah era mais de onze da noite e estava caindo a maior chuva e eu estava no ponto esperando um ônibus. Foi quando ele passou de carro e me viu. Ofereceu carona e eu aceitei. Sem que me desse conta, estava na casa dele. Naum era pra rolar nada, sakas? Mas, quando vi, jah estahvamos nus no sofah dele. Quando percebeu que aquela se tratava da minha primeira vez, ele quis parar, disse que eu me apaixonaria por ele e que naum era correto. Soh que eu jah queria aquilo hah muito tempo. Disse a ele que naum tinha nada a ver e que eu sabia muito bem que era soh uma transa sem compromisso. No final, naum foi tudo que eu esperava, mas foi bom. Transamos mais umas quatro vezes, eu axo, ateh que eu saih do serviço e naum nos vimos mais.

Foi nessa ehpoca que eu comecei a freqüentar xous de rock. A maioria de metal, afinal, era lah que estava a melhor parte. Foi quando reencontrei aquela sensação taum agradahvel do suquinho do colehgio. Usei, abusei, cheirei, fumei. Enfim, fiz o caralho a quatro. Isso tudo ateh um poko antes de descobrir minha gravidez. Sinceramente? Tem horas que penso que meu filho foi minha salvaçaum, afinal, se naum fosse por ele, sabe-se lah Deus onde eu estaria agora. A procura por aquele pozinho milagroso estava começando a ficar um tanto quanto obsessiva. Na verdade, jah eh uma coisa que passou e naum teve lah grande importância em minha vida, naum a usava com freqüência, era soh de vez em quando, junto da galera, pra relaxar mesmo e, às vezes, pra dar coragem e ânimo.

Estou grahvida sim. Tenho dezessete anos, quase dezoito e estou esperando um menino que sei que eh lindo. Famihlia eh o que hah de mais importante pra mim, apesar das brigas e dos desentendimentos, eh minha base, minha fortaleza. Sei que posso quebrar minha cara nesse mundo, fazer muita merda, que ela ainda assim estarah ali me estendendo a maum. Amo minha mãe, afinal, foi ela quem me deu a vida, quem perdeu noites e noites de sono ao meu lado. Devo tanto a ela e sinto que faço taum pouco por merecer tudo isso. Meu filho eh a coisa mais importante nesse mundo pra mim, afinal eh uma parte de mim, naum? Mesmo que ele ainda naum tenha nascido, eu o amo muito mais que a mim mesma.

Eu sou vendedora hoje. Adoro meu trabalho, nem tanto pelo trabalho em si, mas porque me dah a oportunidade de conhecer muita gente. Eu adoro escrever e analiso as pessoas. Cada cliente que atendo, vou transformando em um novo personagem. Escrevo pequenos contos, a maioria sobre drama, axo que essa foi a maneira que encontrei pra me refugiar do resto deste mundo doido. Quando escrevo, esqueço de tudo, inclusive de mim mesma. Meu sonho, ou melhor, projeto de vida, eh ser cineasta. Acabei o colegial hah pouco tempo e pretendo ingressar na faculdade de cinema. Adoro a magia que envolve esse mundo que me encanta demais. Dizem que levo jeito pra coisa, jah q minha imaginação eh bem fehrtil.

Tenho três amigos, a Mere, o João e a Taís. São os melhores! O João eh um conquistador das antigas, naum pode ver um rabo de saia que sempre se mete em encrenca e sempre sobra pras amigas resolverem. A Mere eh um amor de pessoa, se você for sadomasoquista, claro. Ela eh um tanto quanto egoihsta, antipahtica, mas, no fundo, eh uma boa pessoa. A Taís, linda, naum faz mal a ninguehm. Estah sempre disposta a ajudar e a ouvir. Jah namoramos oito meses, mas naum deu muito certo. Ehramos amigas de classe e tudo parecia ir muito bem, obrigada. Mas, naum sei o porquê, certa vez, em que estahvamos na sala da casa dela, roubei um beijo. Foi aih que vivemos oito meses de um namoro bastante sohlido e feliz. Terminamos porque o pai dela descobriu e a famihlia, muito religiosa, proibiu a Taís de sair comigo, foi barra. O coroa me botou pra correr.

Naum foi a primeira vez que transei com uma garota. A primeira foi uma loucura. Naum entendi ateh hoje como rolou. Tipo assim, nada pensado, sakas? Realiza: eu, muito tranqüila, dando um roleh pelo xopis, tinha acabado de levar um fora e precisava de um tempo pra pensar, refletir. Fui ateh a pista de sk8, sentei lah pra ver se alguma coisa fluiha, foi quando a vi, ela estava sentada junto com outras garotas. Ela me lançou um breve olhar, abaixou a cabeça e soltou um risinho meio abafado, naum sei o porquê, mas correspondi com um meio-sorriso. Alguns minutos depois, sem que nem eu mesma percebesse, ela havia se sentado ao meu lado. Sorriu e eu sorri de volta. Ela me convidou pra sairmos dali e eu, sem pensar duas vezes, aceitei. Parecihamos amigas hah anos, rihamos e meia hora depois, estahvamos no banheiro do xopis em uma situaçaum nunca imaginada. Ela me acariciava de todas as maneiras possihveis e eu nem sabia que fazia tudo aquilo. Ela foi perfeita, fizemos loucuras dentro daquele banheiro e, uma hora depois, estava sozinha, sentada no mesmo lugar onde tudo havia começado. Nunca mais a encontrei.

Sexo. Tem coisa melhor que isso? Amo, simplesmente amo fazer amor, mas soh fiz isso com quatro pessoas em minha vida (dois homens e duas mulheres). Os dois lados tem seus pontos positivos. Homens satisfazem, mas, às vezes, fica a impressão de que falta algo, naum sei explicar. Mas a sensaçaum eh a melhor coisa do mundo. As mulheres saum muito delicadas, querem agradar demais, o que, às vezes, atrapalha, mas nem tanto.

A uhltima pessoa com quem fiz amor, eh o mais especial de todos, jah que se trata do pai do meu filho. Eu o conheci atravehs de um ex-namorado meu, o Jeff. Eu o adicionei no Orkut, mas nunca tinha falado com ele. Quase um ano depois, ele estava deletando pessoas que ele não conhecia do Orkut dele e, por acaso, mandou uma mensagem para mim. Foi aih que tudo começou. Trocamos MSN e marcamos de sair no dia seguinte, quando o vi, broxei. O cara naum era nada do que esperava. Era muito diferente, mas mesmo assim pensei: se naum eh pra rolar, que pelo menos sejamos amigos. Naquele mesmo dia, fomos ateh uma construçaum e transamos. Meu primeiro orgasmo com um garoto. O que foi aquilo? Nunca tinha experimentado tal sensaçaum, fiquei muito loka naquele dia e sem pó. Depois disso, naum nos desgrudamos mais. Ele passou a freqüentar minha casa e a cada dia ia embora mais tarde, ateh que ele veio morar comigo. Foram os três meses mais maravilhosos da minha vida, apesar de sempre estar muito ocupada com o trampo e a escola, ainda tinha tempo para sair com ele e ir a xous de hardcore. Saihamos madrugada a fora e sempre rolava muito sexo, muito carinho e um poko de drogas tambehm.

Os dias foram passando e eu axava que o amava. Ateh que um dia ele chegou e confessou ter me traihdo. A primeira vez tudo bem, afinal naum axava que fosse o fim do mundo. Poderia acontecer com qualquer um, mas isso passou a ser freqüente e o pior eh que ele ainda me dizia. Ateh que um dia, o Jeff veio ateh minha casa para conversamos e acabou rolando um beijo. Eu, muito tonta, contei ao Thiago. Ateh entaum, nem sabia que estava grahvida. Terminamos. Duas semanas depois, ele jah estava com outra e eu com um filho dele. Entrei em parafuso. Naum sabia o que fazer ou a quem contar. Minha famihlia foi super compreeensiva e mais uma vez me estendeu a maum. Ele sumiu. Depois de muito tempo, voltei a vê-lo no primeiro ultra-som. Ele xorou, ficou emocionado e voltamos, mas naum durou muito, porque ele ainda estava com a  outra. Depois de muito chorar e tentar aceitar, convenci a mim mesma que seria melhor sem ele, que cuidaria do meu filho sozinha, que naum precisava dele.

Foi quando o Jeff mais uma vez apareceu. Conversando por MSN, ele me xamou pra sair, sempre querendo conversar, afinal, ele sabe que apesar de tudo, somos amigos. Foi em uma dessas conversas que ele me revelou o quanto sentia minha falta e que queria voltar pra cuidar de mim e do meu filho. Putz! Mais uma vez entrei em parafuso, como minha vida poderia dar essa reviravolta? Ainda naum respondi se aceito ou naum, mas de uma coisa eu tenho certeza, sou forte e, com ou sem o apoio do pai do meu filho, eu vou tê-lo e cuidarei dele da melhor forma possihvel!

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Sobre o Autor

Fabricio Mohaupt

Fabricio Mohaupt

Rato de bancas de jornal, livrarias, sebos e obscuras salas de cinema. Escapista apaixonado por HQ's, livros, filmes, séries e música. Pai, marido apaixonado, carioca, torcedor do Flamengo, Maçom, Umbandista, cronista amador, roteirista aprendiz, metido a colunista, poeteiro sem métrica e de pouca rima, crítico descompromissado, futuro romancista, botequeiro (favor não confundir as sílabas) e um feliz estudante e entusiasta da vida e de psicologia, que nada sabe, mas muito quer aprender.

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