Crônicas

Divagações eleitorais

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Somente na Terra Brasilis candidatos com situação irregular podem participar da disputa com nome e foto na urna e confundir o eleitor! Várias cidades do país vivem, hoje, uma situação, no mínimo, inusitada, ou aguardam a decisão da justiça eleitoral (decisão que deveria ser tomada bem antes da ‘regularização’ das candidaturas), ou possuem o segundo colocado como novo prefeito!

Viva a festa da democracia!

Nomes e mais nomes não poderiam estar concorrendo a eleição alguma, mas, como é de praxe nestas terras, liminar atrás de liminar, as coisas vão sendo empurradas com a barriga. Recurso após recurso, cidades de vários pontos do país ficam reféns de não terem o resultado esperado ou, pior, verem assumir muitas pessoas que não teriam nem metade dos votos!

Bizarrices como esta é que me fazem acreditar cada vez menos nesta democracia tupiniquim! Não é possível crer em um estado democrático que obrigue o cidadão a sair de sua casa e votar.

Imagine, caro leitor, só imagine a seguinte cena: o candidato suar literalmente a camisa para te convencer a votar!

O voto obrigatório foi necessário durante um período para que toda população pudesse ter direito à participação. No entanto, ajustados os problemas, a obrigatoriedade nesses tempos, ao invés de permitir a participação, ao contrário, legitima o chamado voto de cabresto, a compra de voto, entre outras coisas bem conhecidas por nós.

O voto obrigatório agride! O voto obrigatório ofende o bom senso! O voto obrigatório é como um dedo inquisidor, apontando, julgando e ordenando!

O voto facultativo, por outro lado, dá ao cidadão a plena liberdade de fazer o que bem entender! Qualquer pessoa deve ser livre para dizer o que quer ou não! Direito básico!

Com os nomes e legendas, digamos, surreais em nossas terras, é bastante sintomático o número de votos nulos, brancos e abstenções! Muitas pessoas não querem ser obrigadas a votar no chamado “menos ruim” ou “menos pior”. Todos estamos cansados!

Se voltarmos no tempo e assistirmos ao programa eleitoral de décadas atrás, os problemas são sempre os mesmos: saúde, segurança e educação! Todos os candidatos falam em mudança, falam em renovação, entretanto, tudo continua do mesmo jeito. Os problemas e as promessas não mudam!

Outra coisa irritante e não menos bizarra é o tal do quociente eleitoral! Quantos já não ficaram abismados, para não dizer o mínimo, com candidatos com pouquíssimos votos assumirem cadeiras em muitas eleições? E os suplentes então?

Nós sabemos como isso termina.

Viva a festa da democracia!

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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