Crônicas

Dos livros de Augusto só gosto… Doeu!

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Se alguém com o bom-humor – sem cabotinismo – que tem caracterizado as mal-traçadas deste escriba contasse este escriba também não acreditaria. Mas, como diria nesse momento o Orson Welles, tudo é verdade. E sendo verdade, verdadeiro que sou no que escrevo vou contar.

Com a invenção do computador e o avanço da tecnologia, tudo dentro de casa via – vejo sempre – telinha, conectada à internet 24 horas por dia, as coisas para a estudantada estão hoje muito mais fáceis. E botem fácil nisso! Tudo na bandeja! Muito diferente dos tempos em que este escriba para saber quem inventou o telefone, por exemplo, além de pesquisar livros e mais livros tinha ainda que telefonar para muita gente.

Tem mais: as universidades estão surgindo por aí como políticos safados em tempo de eleição. Você paga e, como nunca será reprovado, em poucos anos está passeando por aí com um anelão de doutor no anular. Já as universidades de comunicação, por mais contraditório que possa ser, nem se fala. Acreditem. Tenho conhecido “doutores em comunicação” que não se comunicam nem usando a “língua de sinais”.

Eu mesmo, acreditem ainda, tenho conhecido muitas meninas que sonham ser um dia “grandes jornalistas”, e que para endurecer – elas endurecem qualquer coisa! – as asas de seus sonhos estagiam em pequenas e grandes empresas. Aqui, nesta em que me encontro agora, tenho conversado com algumas e vez por outra tirado algumas dúvidas sobre os sonhos seus.

Mas é a falta de informação que mata este escriba de tédio como se ele fosse um Salvador daqui. Dali? Ah, esse nem pensar! Imaginem só ter que ser consultado sobre o filme em que “Machado de Assis trabalhou” como coadjuvante! Isso mesmo: fazendo uma ponta!

Pois é, essa foi uma perguntinha que acabei de ouvir de uma delas. Disse mais: quanto aos livros de Augusto dos Anjos, essa foi dela também, a estagiáriazinha disse que leu “apenas uns dois ou três” e achou complicado demais. Se ela falou do Eu? Nem pensar. Doeu foi em mim!

Mas como não sou de morrer com as palavras atravessadas na garganta, por isso escrevo, respondi que Machado de Assis nunca trabalhara como ator, mas foi um diretor que ficou famoso dirigindo um filme baseando no livro de um amigo seu chamado Dom Casmurro. O amigo não, o livro.

Se ficou por aí? Ah, bem que poderia ter ficado. Mas a estagiariazianha não ficou satisfeita. Achando pouco, interessada em conhecer melhor o “Bruxo do Cosme Velho”, insistiu em perguntar-me sobre outros filmes dirigidos por Machado de Assis. Não pensei duas vezes: um longa, Memórias Póstumas de Brás Cubas, e um curta chamado O Alienista!

Sobre os “muitos livros de Augusto dos Anjos”, disse a gostosinha e futura jornalista da Província as Acácias que apesar de ter lido toda a obra do Augusto dos Anjos, composta de mais de uma dúzia de livros escritos e outros ainda inéditos, entre novelas, romances, teatro e humor (risos), pois também era um humorista, gostou de apenas um. Seria o EU? perguntei. Ó Ledo Ivo engano! Para a minha não surpresa, respondeu a futura jornalista que esse não conhecia. Era o único de sua – de Augusto dos Anjos, não dela – de sua vasta obra que desconhecia.

Termino como Gonzaguinha, esse que um dia me disse que as manchas de sangue das cuspidas de Odaléia na parede branca do hospital era a sua – dele – mais forte lembrança, voltando ao começo. O computador parece estar servindo às nossas estagiárias apenas para enviar torpedos para namorados; tirar cópias para tarefas escolares; jogar paciência, esse jogo que confesso aos meus dois leitores não ter paciência para praticar, e postar fotos diante do espelho no Facebook.

Sentiram? Um saco. O tédio.

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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