Crônicas

É bom não esquecer que“sexo seguro” também pode ser estupro!

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

1- Delação

Tudo bem. Faz tempo. Mas e daí? Depois que o Lula mostrou ser um cara muito diferente daquele cara em que votei, um cara suja, esse mesmo em quem por tantas vezes e hoje mais vezes ainda me arrependo, muito, nunca antes na historia deste país uma entrevista sem qualquer pretensão foi tão lida e relida e espalhada em blogues mil (ufa!). Nada contra quem muda de opinião. Não tenho. Mas, como dizia o excelente escritor Victor Hugo, que mude, nada demais, desde (vem aí o “porém”) que se mantenha seus princípios. “Troque suas folhas, mas mantenha suas raízes”, finalizava. O Winston Churchill também matou a pau: “Não faz mal nenhum mudar de opinião”. Mas também acrescenta: “Contanto que seja para melhor”. O Lula? Sem princípios – o fim todos sabem – e para pior. Hoje está como a “cantiga da perua”, como assim costumava dizer a minha mãe Dona Chiquinha, entre uma baforada e outra no seu cachimbo movido a fumaça dos sonhos: “Cada vez pior”. Vamos à próxima letra. E, para não fugir do lugar comum, repetir e repetir a perguntinha feita pelo sem graça Milton Neves, e a resposta do cada dia “mais pior” Luiz Inácio da Silva.

B Entrevista

Lula, Luiz Inácio Lula da Silva… Você tem pena de Fernando Collor de Mello?

Não é que eu tenho pena, como ser humano, eu acho que uma pessoa que teve a oportunidade que aquele cidadão teve de fazer alguma coisa de bem para o Brasil, um homem que tinha o respaldo da grande maioria do povo brasileiro, ou seja, e ao invés de construir um governo, construiu uma quadrilha como ele construiu, me dá pena porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor. Efetivamente eu fico com pena porque eu acho que o povo brasileiro esperava que essa pessoa pudesse pelo menos conduzir o país, se não a uma solução definitiva, pelo menos há indícios de soluções para os graves problemas que nós vivemos. Lamentavelmente, a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar corrupção fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões de brasileiros por terra. Mas de qualquer forma, eu acho que foi uma grande lição que o povo brasileiro aprendeu e eu espero que o povo brasileiro em outras eleições escolha pessoas que pelo menos eles conheçam o passado político”.

Meu Deus!

E – Pedra Bonita

Se a memória não me falha, pois faço questão de fazê-la guardar alguns fatos sem precisar consultar o Dr. Google, o Freud dos nossos tempos, a Pedra Bonita é de 1938. Deixa ver… Isso mesmo! Pois bem não quero aqui falar da “Pedra Bonita” do ótimo Zé Lins. Mas dessa “pedra bonita” que os meus olhos conseguiram pescar no Lajedo de um velho curandeiro conhecido por àquelas bandas, em especial, como Pai Mateus. Uma beleza! Mais que uma pedra, o olhar captou os mistérios que ela guarda! Enormes pedras que vivem em equilíbrio! Pedras que não cantam. Encantam. Isso mesmo: encantam! Outro dia, próxima quinta ou sexta, quem sabe, espalharei aqui as minhas.

R – Delação

Mesmo não sendo – ainda – réu na operação Lava Jato, confesso: sou meio claustrofóbico. Ou meio e meio. Um dia eu descubro. Nessa confissão toda da Lava Jato entre ser réu confesso e ir para casa com um simples e bela tornozeleira na perna e apodrecer – muitos já estão podres – na prisão… Posso repetir? Tudo bem: confessaria para o Heitor Cony ou para quem ele mandasse que saberia “Onde estão os ossos de Dana de Teffé”. A prova? Tudo bem. Saberia que depois da confissão, mesmo sob juramento, teria que apresentar a ossada prometida. Mas, depois de “roer tanto osso” pela vida, todos duros de roer, daria um jeito.

T – Aldo Lopes

Vez em quando volto as minhas velhas e sempre novas e boas leituras. Ontem, assim sem querer, mas querendo, voltei a reler – outras releituras foram feitas – os contos de Aldo Lopes de Arújo. Estátuas de Sal. Esse é o nome do eu livro de contos. Não sei se vocês, por aí, conhecem esse excelente contista – o melhor que temos por aqui –, e agora romancista que começa a desfilar nessa seara com a mesma maestria que conquistou com os seus contos. Aldo Lopes, se alguém por aqui fala em conto e contista, é o cara. Lembro que por um bom tempo “jornalistamos” juntos, dividimos algumas primeiras páginas de gostosos Cadernos Dois. Noitadas? Ah, essas foram muitas! Hoje, uma vez que deixarei para as próximas mal-traçadas algumas considerações sobre os contos e o contista, sirvo-me do próprio – pelo próprio escrito – para espalhar neste espaço as suas considerações sobre o contista e agora um romancista da gota serena. Ainda ouviremos (leremos também) falar muito desse neto de Ronco Grosso, chefe da Casa Militar do Território Livre de Princesa Isabel (PB), sua – deles, digamos – terra natal, que nunca falou fino. Leia e sorriam. E confiem: não estarão sendo gravados!

O – por ele mesmo.

– “Tivesse nascido de mim mesmo – como Deus – me teria feito do melhor possível, e ainda me daria ao luxo de escolher o século e o endereço, privilégio que me poria acima dos mortais comuns e me renderia uma razoável biografia.

Nasci, pois, como mereci – é certo que mal-acabado, mas nasci viável – e do lugar não me envergonho: Serra dos Bernardino, Princeza, Alto Sertão da Paraíba, de onde saí aos dezesseis anos para estudar na Capital.

Durante todo esse tempo não realizei muita coisa digna de nota. Os dados são escassos. Os registros não se sustentam nas pernas. Ainda assim me espanta o pouco que sou, o que já é demais para quem é obra do acaso.

Quarentão, três filhas, três livros e um neto, dei muitos pinotes pela vida, afinal sapo não pula por boniteza, mas por precisão, como dizem, na linguagem corrente da Serra. E por precisão fui agricultor, funcionário público, escritor, advogado, jornalista e, hoje, delegado. Fiz o que pude, o bastante para que a minha notoriedade resista ao menos à missa de sétimo dia. Pura ilusão”.

Em tempo: esse “O autor por ele mesmo” é de 2001. Hoje, próximo a aposentadoria, saco cheio e meio de tudo, Aldo Lopes já tem romances e muitos contos ainda para contar.

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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