Crônicas

E de repente me deu aquela vontade de puxar a descarga…

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Antes do papo mesa de bar, um aviso aos meus dois leitores: “Cuidado ao confirmar seu voto! Você pode estar incorrendo em crime de formação de quadrilha!”. Faz tempo. Muito. E nada tinha a ver com o São João e a festa dele. Nem tem.

O aviso corria pela Internet. Vias públicas e privadas. Em todos os lugares. Bares e quintais. Também. Eu, porém, andava prevenido. Um tanto sem graça com essa eleição de comadres que se anuncia. Era verdade. Mas prevenido. Uma eleição de comadres e compadres. Essa certeza eu tinha.

Em quem iria votar?! Era triste. Perguntava para, em seguida, responder: em Roth. Esse era meu cachorro. Tinha mais dignidade do que 90% desses candidatos que se oferecia por aí. Oferecem-se. Vendiam-se a preço de banana. E o pior: a banana não tava valendo nada.

Se doía? Mais que um espinho de Maria-segunda entrando devagarzinho na menina dos olhos. Uma menina preta como a minha pele. Imaginava todos esses santinhos com cara de pau pendurados nas paredes de humildes casas. Tudo para não as caras de pau – decorar os nomes, nem pensar – no dia de votar nos feitores.

Santinhos. Era assim que os diabos eram – e continuam – batizados em tempos de eleição. Hoje, para a minha alegria, muitos desses fazem parte da lista de “procurados”. Suas fotos são e foram estampadas por todo o país. Fora dele também. Essas irão estar penduradas um dia nas paredes dos presídios. Faltará parede. Faltarão paredes.

Se eu votei? Compareci à urna. Fui obrigado. Vocês sabem. Essa obrigação pífia? Agradeço. Obrigado digo eu. Fiquem com as suas – deles – obrigações. Mas fui votar e votei. Não era possível – acreditava – que no meio de quadrilha tão grande, esforçado como sempre fui, não conseguisse encontrar um “bom ladrão”. Não um daqueles que amanhã “roubei, mas fiz!”. Um que não coloque a mão no meu bolso. Nem nos (cacófato, não?) dos meus.

Infelizmente estou cansado de ouvir, ver e. lastimar. Muitos continuam naquela vã e triste esperança de que estão votando no“ mais ou menos ruim”. Sei não. Sei não. Sei não mesmo. Mais ou menos. Entre os candidatos deveria ser proibida essa medida feia e imoral para justificar as suas pobres e abomináveis vidas de morcego. Por que morcego? Simples: mordem as nossas gargantas e o sangue ainda escorrendo assopram.

Não quero os meus dois leitores analfabetos-brchtianos. Também não quero vê-los entendendo um mundo de política externa – no caso, fora de casa – e alheio, sem interferir em nenhum momento na política interna – a de dentro de casa – entre os seus, mostrando aos mais próximos o quanto esses filhosdaputa deles – e delas – estão distantes.

É isso, meus amigos. E mais com ph de farmácia. O cidadão chegar a esse ponto de ficar nesse matagal de sacripantas sem cachorro. E tendo apenas um simples voto para se defender dessas quadrilhas mais aparelhadas do que aquelas outras. Essas por nós combatidas, mas nunca destruídas.

Mas nada de usar a moeda e escolher cara ou a coroa. Se, pela falta de tesão ou desesperança mesmo o eleitor preferir essa forma, fique ele sabendo que essa sairá mais cara (gostaram?). Portanto, vote! Bote na urna como o mestre Alfredo, esse velho e desconhecido meu, famoso pelo uso do seu nome e o animal estimação, botou um dia na vaca dele! Sem pena. Ou melhor: sem leite.

Ah, e sem vaselina!

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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