É DINHEIRO PRA GEDDEL

by Enio Ricanelo | atras 1 semana

Um dos maiores assaltos de todos os tempos acontece debaixo dos panos.

Na quarta (06), o Brasil parou para ver um dos homens de confiança do presidente Temer, Geddel Viera Lima, ser flagrado com 41 milhões, em espécie, em um dos seus imóveis em Salvador.  Toda essa quantia é oriunda de dinheiro público. Segundo a Polícia Federal, essa foi a maior apreensão realizada em todas as operações.

O escândalo veio à tona enquanto passamos por uma crise no sistema judiciário que, abalado por corrupção na relação entre delatores e membros da PGR, se debruçam no “aceitar ou não as provas cedidas pelos irmãos Batistas e se serão mantidos os benefícios do acordo”.

Se paramos para refletir sobre o assunto, fica claro que no âmbito do judiciário temos aqueles “fiéis amigos” da classe política, isso principalmente no STF (Supremo Tribunal Federal), logo, tentam de todo modo desconstruir prova viva, real e oficial. É óbvio que a postura de Janot, de retirar os benefícios dos delatores, é leal e de manter as provas, também.

Não é em virtude de Joesley corromper membros de dentro da PGR, até mesmo o braço direito de Janot, que a mala de dinheiro do Loures e da irmã do Aécio, além da conversa na calada da noite com Temer, vão desaparecer, serem esquecidas, são provas que incriminam pessoas influentes dentro desse “House Of Cards” do infortúnio.

E retirar os benefícios frutos da barganha na delação premiada, é ser justo com o povo brasileiro, o que não é justo, é achar “vírgula fora do lugar” para tentar apagar um fato comprovado, legítimo e de conhecimento público.

O choro mentiroso e dissimulado de Geddel, ao saber que havia digitais dele no dinheiro apreendido, revela a face dos políticos brasileiros, os impuníveis, começam a entender que, enfim e as duras penas, o senso de justiça começa a dar sinais de vida, mesmo em meio ao caos.

O caso de Geddel nos faz pensar sobre o “bicho político nacional”. Vieira foi secretário nos governos petistas, mas tal fato não o impediu de ser um dos homens mais influentes do atual governo, que por natureza é arquirrival de Lula e Dilma. A política, em síntese, deve partir da ideia de ideologia, bandeira e posição. Os mandas chuva nesta terra tupiniquim, ignoram o fato e fazem esse barco, mais para canoa, seguir sem parada em direção ao abismo!

Contudo, o Brasil criado pelos marqueteiros de 4 em 4 anos, nos parece a cada dia mais longe. A ideologia, para quem realmente tem, de que esse país mude de fato e seu sol brilhe para todos, começam a entender os trechos cantados, e muito bem cantados, por Elis. “Que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos…”.

Sim, apesar das revoltas em marcha no ano de 2013, nos calamos, pois ainda “somos os mesmos” que engolem garganta abaixo a notícia mastigada do jornal nacional e, se isso já não bastasse, congelamos o nosso pensamento crítico para discutirmos a novela, ela é mais interessante. Pois digo, com os atuais parâmetros, não há ficção mais chamativa do que a real, e verdadeira, derrocada de um país que tinha tudo para dar certo.

Por Enio Ricanelo, colunista, para o Crônicas Cariocas.

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