Crônicas

E o povo já pergunta ao Congresso com maldade: Onde está a honestidade?

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Não queria, como prometi a mim e a minha secretária, essa que só não chamo de “secretária do lar” porque acho um eufemismo felá da puta, assim como chamar favela de “aglomerado subnormal”, não mais falar em despedida de Dilma e prisão de Lula. E, para isso, confesso que entre os motivos que carrego comigo para deles não falar, estar o fato desse companheiro saco não mais aguentar: ele tá cheio até a boca!

Tenho afirmado também, aqui e em alhures, sendo esse “alhures” não é uma cidadezinha que fica muito longe, pra lá da Casa de Carvalho, sujeito que só não anda pisando nos próprios ovos porque esses sempre estiveram ao seu lado, que o meu saco não é saco sem fundo, um dia enche!

Mas acho sinceramente que esse congresso que está aí pedindo a prisão de Lula e o impeachment de Dilma, apesar de saber da culpa que ambos tem no cartório, não tem moral para tal. Posso repetir? Obrigado. Não acho que esse congresso tenha moral para pedir o impedimento de Dilma e a prisão de Lula. Sei que provas, principalmente contra o ex-presidente, existem o suficiente para levá-lo a morar uns bons anos ao lado de seus companheiros. Mas, sem condenação antes do julgamento, perguntaria: quem entre esses congressistas teria a coragem de atirar a primeira pedra naquele que não recebeu propina? Ora, as primeiras impressões que ficaram de muitos desses nossos probos congressistas, estão no prontuário da delegacia de polícia da esquina de suas casas.

Lula, ainda hoje, como ontem dissera o bom Fausto Wolff, que infelizmente pegou mais cedo o Trem das 7, trocou de roupa e foi morar noutra cidade, se disser que ele nada tem a ver como essa zorra em que se transformou o País do Carnaval, estaria, assim como ele, o Fausto, disse um dia, chamando de no mínimo de Chance Gardner, o jardineiro imbecil criado por Jerzy Kosinski, estrelado no cinema pelo falecido Peter Sellers e que quase chega à presidência dos Estados Unidos.

Se Dilma tem culpa no cartório? Também fora dele. Mas é Lula, esse com quem um dia tomei cachaça num barzinho que ficava ali bem pertinho de minha casa, centro da capital da Parahyba, quem me decepcionou e decepcionado continua. Se foi um bom presidente? Um dos maiores, talvez mesmo o maior. Era assim, juro pra vocês, que gostaria de encontrá-lo um dia e convidá-lo para tomar o resto da cachaça que deixamos na garrafa.

Mas, apesar da culpa, sua culpa, própria culpa, nada de “delação premiada”. Não é isso que desejo nem espero de Lula. Só não admito e que ele continue fazendo de conta que por não ter visto, ouvido e falado, a culpa é do vizinho que sabia estar sendo chifrado, e mesmo assim não lhe mandou flores no aniversário do “chifrador”. Errou: mandou um par de chifres, esquecendo o fato de que aquele que tem flores manda flores, e que tem chifres manda chifres.

Se Dilma renunciará antes de ser “impichada”, isso não passa por uma questão de foro íntimo. Se as forças que a levarão a esse tresloucado ato são ocultas? Zorra nenhuma! Essa turma que está aí, pelo simples fato de não mais caber tanta sujeira debaixo de seus tapetes, nada de oculta tem. Sujeitos como Eduardo Cunha, Renan Calheiros, dois péssimos exemplos de um congresso em que aquele que não recebeu propina está sendo chamado de honesto e envergonhado disso, não tem mais onde se esconder. Tá tudo aí. Sem considerações gerais fazer. Mas, por favor, permitam-me não mais entrar nesse assunto.

Puxei a descarga.

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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