EDIÇÃO ESPECIAL: Entre troca de favores, Temer e o Brasil adoecem.

by Enio Ricanelo | 25/10/2017 20:55

Por Enio Ricanelo, jornalista e colunista, para o Crônicas Cariocas.

“Blindagem”, essa é a palavra que define o que a câmara dos deputados concedeu ao presidente, na votação da denúncia contra Temer e os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha. No placar de 251 à 233 os parlamentares optaram por não dar continuidade ao processo da PGR, nesta quinta (25) na câmara legislativa, em Brasília.

Durante as últimas semanas deste mês, o maior mandatário do país recebeu os parlamentares para negociar o engavetamento desta última denúncia realizada por Rodrigo Janot, enquanto estava na PGR (procuradoria geral da república). Nos jantares e conversas no palácio do planalto, Temer prometeu emendas, decretos e ajuda no financiamento do próximo pleito, tudo isso para ajudar os parlamentares na eleição do ano que vem. Nessa barganha, o presidente – por meio de decreto – flexibilizou as leis do trabalho escravo e implantou o refinanciamento para as dívidas ambientais, ambos para acariciar a bancada ruralista. Decreto este já derrubado pela ministra do STF, Rosa Weber.

ENTENDA MAIS:

A “aprovação da denúncia” não quer dizer que Temer será condenado, muito pelo contrário, só irá autorizar o Supremo investigar o presidente da república e lá, sim, ser julgado.

Na contrapartida, Temer espera o apoio desses deputados votando contra a denúncia. Segundo os governistas, o texto será facilmente arquivado. Mas não pelo fato da denúncia ser “fraca”, e sim por esses parlamentares terem sido comprados, às claras, pelo governo.

Nome Sujo. Remanescentes da última denúncia o grupo do centrão – formado por partidos como DEM, PP, PR – que hoje é a maior força na câmara dos deputados, começa a cobrar a fatura da ajuda dada ao presidente na última oportunidade.

Por conta disso, os deputados da “base-aliada” não marcaram presença durante do dia de votação, impedindo a votação por falta e quórum, apoiando um movimento que é da oposição  -que irei explicar mais pra frente- que queria o adiamento da votação, para desgastar ainda mais a imagem do governo.

Os parlamentares fujões diziam que “dariam canseira” para conseguir mais emendas. E nessa bagunça e pressão – com esses amigos, mas nem tanto – o presidente Temer adoece e é internado com problemas renais. Nada grave é bem verdade, mas um alerta importante.

Do outro lado da ponte. A oposição, que não tem esperanças de conseguir com a denúncia prossiga, tenta de todas as formas o adiamento da votação, justo posto, para mostrar a população o enfraquecimento do governo.

Mas é válida a ressalva, que a oposição não conseguiria obstruir sozinha a votação, ou seja, os “amigos” deram uma facada pelas costas em Temer.

Vergonha alheia. Os deputados que depositaram seus votos à favor de Temer, durante o voto, ficaram claramente envergonhados, na realidade mal falavam. Fica claro o motivo pelo qual os deputados votaram por Temer…dinheiro, favores e interesses.

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