Crônicas

ENTRE TRUMP E MACRON: A AGONIA DA GLOBALIZAÇÃO

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Muros, xenofobia, aversão, rivalidade, duas grandes guerras e, após as ameaças e a intensa propaganda ideológica do período da Guerra Fria, a união entre países, mercados, fronteiras fluidas e diálogo, deram o tom do final do século XX. A globalização!

Para alguns, veio como a resposta para os novos direcionamentos do mundo. O futuro!

Para os ingênuos, veio como uma possibilidade de maior entendimento.

Igualdade? Alguns sempre foram mais iguais que outros!

Entretanto, com o passar das décadas, crises subsequentes, milhões de desempregados e outros milhares de refugiados, o mundo passou a se reconfigurar e tomou outra (nova velha) direção: fronteiras bem demarcadas, discursos nacionalistas e dedos em riste!

Cada vez mais cercas!

Cada vez mais ódio!

Cada vez mais guerra!

Liberdade? Alguns homens são mais livres que outros. Alguns, simplesmente, não o são!

A globalização nunca foi um avanço ou sinônimo de diálogo. Por isso mesmo a crise. Por isso mesmo as crises!

Na era da informação, o mundo mais superficial de toda a história!

Na era da informação, o mundo dos velhos e eternos preconceitos de sempre!

A globalização padronizou tudo e todos e acentuou, principalmente nos países mais pobres, a ideia de pasta, massa, ou qualquer coisa disforme…

E, em razão disso, a certeza de vigiar as fronteiras e se proteger, seja da maneira que for, possa ser a resposta para o caos presente!

No entanto!

Mesmo à míngua desse pobre e patético período, não podemos esquecer de todos os conflitos, mortes e desesperança dos estados totalitários, da não democracia, de Hitler, Mussolini, Stalin, Fidel, Chávez e tantos outros…

Mesmo dentro da grande crise contemporânea, não podemos esquecer que o ódio destrói e que cria e alimenta monstros… Monstros que, crescidos, perdem o controle e se voltam contra seus criadores.

A eleição de Trump sinalizou essa (nova velha) mudança! Voltar aos moldes! Vigiar, cercar, proibir e negar! Os discursos sobre a construção de um muro físico e o fortalecimento do muro metafórico assustaram e assustam!

O crescimento de discursos extremistas têm se transformado em algo comum em várias partes do globo.

E mais cercas erguidas!

E mais muros construídos!

E mais monstros alimentados pelo ódio têm a missão de assustar!

O fantasma representado por Marine Le Pen nas eleições francesas, assustaram ainda mais! Seria o fim de tudo? O começo de um outro (velho novo) tempo?

O eleitor francês, diferentemente do americano médio, parece ter percebido a questão: a situação é ruim, mas, com os discursos truculentos de Le Pen, certamente ficaria pior, muito pior!

Eis então que Emmanuel Macron, aos 39 anos, torna-se o presidente mais novo da França!

Não. Macron não é a esperança!

Não. Macron não é a solução.

Não havia, para os franceses, outro caminho que não fosse a resistência.

E a eleição de Macron representa exatamente isso: a resistência!

Resistamos ao discurso do ódio e da divisão!

E, mesmo a ideia de um mundo (aldeia) global agonize…

Mesmo contra a lógica perversa de um mundo injusto…

Alguns resistem…  

Resistem, tremulando contra a tempestade, a igualdade, a fraternidade e a igualdade…

 

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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