Crônicas

Estado de Calamidade

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Rio, purgatório e paraíso! Rio, guerra e delírio!

O decreto do governador do estado do Rio de Janeiro apenas oficializou uma situação conhecida por todos: um cenário deplorável, decadente e sucateado de um dos estados mais importantes do país!

O decreto expôs, de maneira crua e nua, a incompetência administrativa, a assombrosa burocracia e a interminável e endêmica corrupção!

O decreto, no papel, saiu às vésperas das olimpíadas, porém, a situação desastrosa em que se encontra o Rio de Janeiro vem de longo tempo. Reflexo do reflexo. Municípios arrasados, país desnorteado, não seria diferente com o estado!

O problema não é a oficialização da falência, mas novas dívidas que serão contraídas! Quem está “quebrado” não pode ser irresponsável de se endividar ainda mais!

E é isso mesmo o que vai ocorrer: mais endividamento!

A alardeada crise, mais uma vez vale lembrar, é tão somente um desdobramento de outros fatores, dentre os quais, um acúmulo de decisões equivocadas, uma soma de gestões ruins e um sem fim de negociatas e de jogo de compadres.

O interessante é o raciocínio construído para culpabilizar um grupo! A culpa, hoje, é dos servidores! A culpa, hoje, é dos aposentados e da combalida previdência!

Esquecem os técnicos de plantão de que a grande maioria dos servidores possui salários baixos (principalmente educação). Esquecem estes mesmos numerocratas que a previdência nunca seguiu um planejamento de controle rígido e inteligente! Os funcionários de altíssimo escalão estão protegidos em suas bastilhas!

Uma das ideias aventadas na cabeça brilhante dos absurdocratas é passar a responsabilidade para outro! Terceirizar! Terceirar tudo! Como se, por milagre ou mágica, tudo se transformasse!

Quem usa os serviços terceirizados no estado e no país, nas mais diversas áreas, sabe qual é a verdade: salários ainda mais baixos e condições de trabalho ainda mais precárias. Resultado? Serviço ruim!

Querem, a todo custo, a despeito das enormes cifras destinadas a cargos comissionados, secretarias e funções políticas de todo gosto, apontar o culpado, os culpados. Errado!

A questão, tratada aqui em outro texto, está ligada à falta de planejamento, entre outras coisas. Ninguém se preparou para o corte dos royalties! Ninguém! Rigorosamente! Todos gastaram e gastam muito mal!

Em um país cuja carga tributária leva empresários à falência ou ao chamado “caixa-dois”, leva trabalhadores e microempreendedores a malabarismos cada vez maiores, é insano e covarde simplesmente falar em crise e culpar a própria sociedade!

Regalias, vantagens e somas enormes destinadas à manutenção de um sistema corroem os municípios, o estado e o país. Enquanto isso não for extirpado, nada se resolverá! Sangra a Petrobrás, sangram a saúde e a educação, sangra a segurança, sangra um país inteiro!

Com as olimpíadas se aproximando, gasta-se ainda mais! Obras em andamento! Obras com novo custo! Obras paradas! Obras que não servirão, em sua maioria, para benefício algum do cidadão! Obras e mais obras! Um canteiro de obras!

Mas e o Rio? E o Brasil?

Em estado de calamidade pública permanente!…

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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