Crônicas

Fala Jair Bolsonaro, pode falar, depois eu puxo a descarga

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

“Eu desaprovo o que dizes, mas defenderei até a morte o seu dinheito de dizê-lo.”.

Seria assim que eu gostaria de começar estas minhas mal-traçadas, depois da conturbada visita a minha cidade, capital da Parahyba, terra de anjos augustos, do deputado Jair Bolsonaro.

Assim mesmo, citando uma frase que muitos creditam ao filósofo Voltaire, mas que na verdade foi dita pela escritora britânica Evelyn Beatrice Hall, biógrafa – agora assim – de Voltaire, no seu livro “Os Amigos de Voltaire”.

No meu caso, esse que nada de muito sério tem, mesmo que sofra uma porrada dizendo/escrevendo o dito pela escritora britânica, cai como uma luva em se tratando desse – triste constatação – novo “herói” de uma boa parcela do meu povo verde-amarelo: verde de esperança e amarelo de fome. Infelizmente. Infelizes mentes.

Não estranhem o “herói” aí, por favor, mas é verdade também que mais triste para um povo do que precisar de heróis, como profetizou um dia o sempre atual Bertolt Brecht, é ter um famigerado sujeito como o Jair Bolsonaro como esse herói que ele, o povo, busca.

Pelo comecinho desta mal-traçadas minhas, a abertura, para ser mais exato, dar para ver e sentir que sou totalmente demais – que expressãozinha, hein? – contra tudo o que pensa, se eu posso chamar o que ele pensa de “pensamento”, e o que diz o deputado Jair Bolsonaro. Mas isso, por favor outra vez, não me dar o direito de cassar o que ele diz nem o criminalizar (sic), desde que não seja crime o que faz nem o que diz. Essa história de atirar pedras no sujeito somente porque ele não gosta das palavras com que pinto o meu quadro, mesmo silencioso, me deixa mudo.

Sei que o deputado Jair Bolsonaro, assim como “rei” Pelé na pele do seu criador Edson Arantes do Nascimento, guardadas as proporções, tem dito asneiras que não cabem no maior dos sacos de um cidadão mais ou menos bem informado a respeito dos sonhos – quase escrevo “lucros” – de um Jair Bolsonaro. Um dia escrevi que Pelé ao pendurar as chuteiras, Pelé deveria ter pendurado a língua. No caso de Jair Bolsonaro, se radical eu fosse, diria que há muito merecia pelos ovos ser pendurado.

Mas, afinal, mesmo pouco, respeito ele também merece. E aqui é bom não esquecer que o Estado que “ressuscitou” Leonel Brizola à vida verde-amarela, o Rio de Janeiro, esse que continua lindo, foi e continua sendo o mesmo que o elegeu, colocando-o na condição de “o mais votado” para representar o seu alegre e festivo povo na Câmara Federal. Foi um erro? Ora, mas que não tem direito de errar uma, dois, três ou mil vezes num país em que o crime não somente compensa mas faz de criminosos herois nacionais?

No ano passado, somente para dizer que defendo e defenderei até a morte o direito de errar do povo fluminense, mesmo não concordando com ele e outros povos que elegem “heróis” assim, Jair Bolsonaro teve o apoio de 6% por cento do eleitorado fluminense. E pouco? É não! Afinal, esses 6% equivaleram ao absurdo número – para um sujeito que pensa e age como ele – de 464 mil votos!

Por aqui, porém, como aconteceu recentemente, não concordei – não concordarei nunca! – com essa ditatorial ideia (sic) de apedrejar o deputado e impedi-lo de entrar em nossa Câmara Municipal, mesmo sabendo o “lixo” que ele iria espalhar e deixar dentro dela. A minha pedra ainda segurei dentro do bolso. Confesso.

Mas, afinal, essa é uma casa legislativa, aberta a todos que forem eleitos legal e democraticamente. Portanto, mesmo a contragosto, sem esquecer Collor, Genoíno, João Paulo et caterva, casas assim tem que aceitar todo tipo de Jair Bolsonaro para baixo. Repito: sou puto e não concordo com nada do que diz e faz esse deputado. Mas atirar pedras nele seria a mesma coisa que “atirar pérolas aos porcos” (O avesso do avesso ?!).

Os que me conhecem bem ou mal, pouco ou muito sabem que sou antes de tudo um sujeito favorável em todos os sentidos ao regime democrático. Aqui mesmo, neste singular espaço plural, tenho dito e repetido incansável vezes que a melhor das ditaduras não chega nem perto da pior das democracias. Detesto os regimes ditatoriais! Sofri com um deles. Muito. E até hoje carrego cicatrizes na alma.

Agora, com todo o respeito aos que não concordam comigo, acho um atraso e atitude mais atrasada ainda a tentativa de calar quem quer seja, varrendo da memória os duros anos em que fomos obrigados a ficar calados, apenas porque o que está sendo dito não é aquilo que dito gostaríamos que fosse. Deixem essa pústula falar! Calemos, pois, esse sacripanta com o voto! Não podemos esquecer que as ideias ruins, como são as dele, se combatem com ideias melhores. Somos maioria. Somos capazes de mudar o que achamos que deve ser mudado. Heróis?! Não precisamos! Mas se for o caso de heróis como Jairo Bolsonaro, desses não precisaremos nunca!

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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