Crônicas

Festival de Besteira que Assola o País Americano

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Na década de sessenta/setenta o Brasil vivia o auge de suas – deles – besteiras. Não brinquem! Pois nunca antes na história do verde-amarelo tantas besteiras foram ditas e saboreadas. Políticos truculentos – mas nada de “lentos” nas besteiras! -, homens de verde, jogadores de futebol, artistas, socialites et caterva pareciam ter nascidos apenas para entrar no Festival de Besteiras que Assola (va) o País, a antológica coleção dessas pérolas criada pelo Sérgio Porto e Stanislaw Ponte Preta (sic).

Bom, mas antes que alguém grite, grito eu daqui: as besteiras ainda são muitas e continuam. Só não temos mais é um Ponte Preta para registra-las. Esse, infelizmente, há muito que trocou de roupa e foi morar noutra cidade.  Porém, se o brasileiro se orgulhava e sorria pelo fato de ser o único a nascer, morar e viver num pais conhecido pelas incontáveis besteiras desse povo nomeado no primeiro parágrafo, é bom dar uma parada.

Os Estados Unidos, essa nação forte que, segundo Millôr, se se empenhar a fundo acaba sendo Estados Unidos da América do mundo, tem um festival de besteiras que deixa a gente na poeira. Se por aqui as pérolas saíam – e continuam – em sua maioria das bocas dos nomeados (de novo), lá na terra do Tio Sam, sendo um país federativo onde Estados e até Municípios têm autonomia para fazer as suas próprias legislações, são os políticos com as suas Leis que levam esse país ao ridículo. Não acreditam? Então, leiam.

Flórida: em Miami, que, como vocês sabem fica na Flórida, uma norma de 1967 dispõe que “nenhuma pessoa deve operar uma bicicleta que não esteja equipada com sino ou equipamento de produzir um som audível a pelo menos 30 metros de distância”.

Importante e útil Lei, não? Assim, aprovada, passou um bom tempo para que os programas policiais da cidade noticiassem uma “tragédia entre duas bicicletas de corrida”. Ia tudo bem, até que outro pensador americano, sem nada para fazer, apresentou e teve aprovado um Projeto, treze anos depois, que proibia – e talvez ainda proíba – o uso desse equipamento.

Conclusão: a obrigatoriedade do equipamento continuou. O seu uso, porém, foi proibido.

Tenessee: o cuidado com a vida dos animais é uma característica nesse Estado. Tem uma lei por lá – não riam agora – que proíbe a prática da caça esportiva… sobre qualquer veiculo em movimento! Ah, mas há uma exceção: as baleias, esses animais de estimação do rei Roberto Carlos. Para matar baleias, esportivamente, o barco pode ficar parado. É verdade! Acreditem!

Conclusão: poucos por aqui não sabem – até bem pouco eu também não sabia! – que o Tenesse tem um litoral tão extenso quanto o de Minas Gerais. Pronto? Não. Agora podem rir: a praia mais próxima do Tenesse está a uma distância quase cinco vezes de João Pessoa a Recife. Ou seja, mais de 500 km!

Wyoming: antes de entrar no “mérito da besteira” não posso deixar de observar que esse é apenas um dos muitos nomes horríveis de estado americano. A besteira? Uma enorme besteira, quase loucura. Pois bem.

Por lá, desde 1980, porque ainda não tenho qualquer notícia da revogação da Lei, é proibido (vejam bem!) tirar fotografias de coelhos entre janeiro e abril sem uma licença oficial! Por quê? Essa, segundo o autor da Lei, é a época de acasalamento dos bichinhos. E a sua privacidade não pode ser exposta.

Conclusão: Coitadinhos! A Lei certamente foi um projeto de quem nunca viu “uma trepadinha de coelho”. Pois é. Conto: é tão rápida que os olhos não captam. Somente depois se escuta o coelho perguntar para a coelhinha comida “É bom, não foi?”.

Califórnia: em Pacific Grove, a preocupação com a vida animal – enquanto isso, milhares de favelados não tem proteção alguma – chega ao extremo de condenar ao pagamento de uma multa de 500 dólares (façam o câmbio!) o malvado, o monstro, o sacripanta que molestar ou ameaçar… O quê? Ah, imaginação: uma borboleta! Isto mesmo. Se uma borboleta sentir-se pelo menos ameaçada poderá entrar na justiça com uma ação por “danos morais”.

Conclusão: não tenho outra pergunta: como a gente vai saber que um espirro, por exemplo, daqueles que não se pode segurar está ameaçando a vida de uma borboleta? E o que é, afinal, ameaçar uma borboleta?

Para fechar essa segunda-feira sem graça, como todas as segundas, lembro essa pérola que vem lá do musical e negro estado americano, New Orleans.  Existe uma lei por lá vigorando até hoje, pois como falei aí em cima em relação a outra ainda não tive noticias de sua revogação, que proíbe amarrar um jacaré em hidrante!

Conclusão? Se fosse por aqui, como é raro encontrar um hidrante dando sopa por aí, teríamos uma cidade tomada por jacarés ou emendaríamos a Lei, trocando esse instrumento de amarrar jacaré por um poste, que, infelizmente, em muitas cidades por aqui ainda inexistem.

Em Tempo: E ainda tem nêgo por aí que zomba de Portugal!

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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