FILIPETAS

by Marcio Paschoal | 04/08/2017 08:42

Sempre me causou curiosidade o mundo das filipetas, da propaganda de mão em mão pelas ruas, colada nas paredes, distribuída por pessoas e colocadas em caixas do correio. A variedade e a criatividade desses recados é uma aula de humor minimalista e desafio à paciência e compreensão.

Para quem ainda não identificou, é fácil associá-las às mensagens do tipo “trago seu amor em três dias”, “acabo com mau olhado do vizinho”, “vendo geladeira pouco usada” (com cacófato, por favor) ou ainda “troco pitbull por perna mecânica”, entre outras.

Desconhece os trâmites da feitura desses recados diretos e mínimos quem não atribui toques de genialidade a esse tipo de comunicação.

A piada do judeu que telefona para uma agência para colocar um anúncio classificado sobre o falecimento de sua esposa. A mensagem era: “Sara morreu”. Simples e direto assim. Queria pagar pelo mínimo e comunicar o suficiente. Informado de que o preço menor compreendia cinco palavras, arremata: – Então, coloca aí “Sara morreu vendo Fiat 99”.

Aproveitamento máximo é isso. Outra filipeta me chegou pelo correio de um salão de cabeleireiro que anunciava seus preços pelo tamanho do cabelo. Faz sentido.

Ou dos bailes de forró, com homens pagando e mulheres entrando de graça antes das 22h. Nunca entendi bem essa lógica, mas deve funcionar, pois vive lotado e com homens sempre em número maior.

O campeão do gênero, no entanto, saiu num jornal de grande circulação paulista: “Sheila, lindíssima, irresistível, seios fantásticos, bumbum de ouro, corpo escultural, nível universitário, poliglota, educadíssima, super carinhosa. Tenho tantas qualidades que nem sei por que fui virar puta”.

Propaganda pessoal mais debochada, impossível. E o melhor, verdadeira.

Ou aquele outro anúncio que saiu em vários jornais: “Idoso charmoso, com lindos olhos (cobertos por cataratas), louro (só dos lados), corpo malhado (vitiligo) e sarado (das doenças que já tive), alegro festas de bodas de ouro, convenções e excursões da terceira Idade. Como fetiche, posso usar touca de lã, pantufas e cachecóis coloridos. Outra vantagem: tenho ‘Parkinson’ o que ajuda muito nas preliminares.Total discrição, pois o ‘Alzheimer’ me faz esquecer tudo que faço na noite anterior.” Olha que teve recorde de procura. Notadamente, pelo Alzheimer, eu acho.

Mas nada supera as filipetas colocadas pelos orelhões na orla das praias cariocas. Selecionei esta: “Carlinha, terapeuta do sexo, dou meu rabinho sem pudor?”. Dá para imaginar uma prostituta terapeuta fazendo sexo anal com pudor?

Ou aquele: “Patricinha, chupo sem camisinha até a última gotinha”. Peralá, como seria sexo oral com a camisinha? Analogamente, como chupar bala com o papel.

Mas o grande sucesso de marketing meretricial é, sem qualquer dúvida, a da Camilinha Reboladeira avisando, com letras garrafais, que faz kelvi total Alguém pode me dizer que raios é esse negócio de kelvi? E como seria o parcial?

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