Crônicas

História da criação do Bloco “Meu Bem, Volto Já!”

História da criação do Bloco “Meu Bem, Volto Já!”
Marcio Paschoal
Escrito por Marcio Paschoal

por Marcio Paschoal*

Fevereiro de 1994, sábado de Carnaval. Jorge, Irene, Chico médico e o Dr. Zé Armando voltavam do cordão do Bola Preta para uma esticada no Bloco do Barbas. Lá encontram uma ala formada por integrantJá”es dos Blocos “Suvaco”, “Segunda”, e “Simpatia” e o comentário geral era de que o Leme estaria precisando urgente de uma manifestação carnavalesca à altura de suas tradições sambísticas. Jorge, Irene, Chico e o Dr. Zé Armando voltaram para o Leme com a idéia fixa de organizar um bloco para sair no ano seguinte.No domingo à tarde, apesar de toda ressaca, lá estavam eles reunidos, na dispersão do Simpatia, conforme o combinado, para definir a estratégia a ser adotada para a criação do bloco, apenas achando um pouco diferente o comportamento do Dr. Zé Armando: ele não se separava de um saco plástico, sempre repetindo que não podia perdê-lo de jeito algum. Por mais que insistissem em perguntar o porquê daquela maluquice, ele se negava a comentar e permanecia segurando firme o saco plástico e enchendo a cara. O pessoal resolveu deixar pra lá, cada um tinha o fetiche que merecia, além do que o Dr. Zé Armando parecia ainda não ter curado o porre da noite anterior. Bom, o importante era a criação do bloco, e conversa vai e chope vem, decidiram pela venda de camisetas e de cervejas num ensaio onde seria escolhido o samba do bloco. Elcio Arruda topou fazer o desenho das camisetas, o Serginho do “Deita e Rola”, e o pessoal que toca no “Bip-Bip”, deram o total apoio e o esquema inicial estava montado. Quando toda a galera parecia entusiasmada com a ideia, notou-se que faltava o principal: o nome do bloco. Em princípio, seria o Bloco do Leme, mas outros nomes vinham surgindo e a confusão era geral. Tinha nome para todos os gostos e estilos os mais heterogêneos possíveis. Foi quando, num ultimato, o pessoal decidiu marcar para o último dia do carnaval, na terça-feira, uma reunião num bar em frente ao número 30 da Av. N.S. Copacabana, para o batizado oficial do bloco e a escolha definitiva do nome.

E assim foi. Na terça, no 30, a cerveja rolava e cada um tinha a sua preferência. Chico médico, Irene, Jorgito, Lefê, cada um tentando convencer os demais sobre o nome, quando o Dr. Zé Armando, chorando e abraçado ao seu saco plástico de estimação, mostrou toda sua angústia. Ele havia saído de casa no sábado, dizendo para a mulher que ia comprar leite, pão e jornal, e que voltaria logo depois. Foi aí que resolveram apartar o inconsolável Dr. Do seu saco plástico e puderam constatar o seu “precioso” interior: um jornal em frangalhos alguns pedaços de pão e um recipiente com leite já inteiramente coalhado. Perguntado se sua esposa sabia do seu paradeiro, ele confessava que só lembrava de ter dito à mulher: “Meu bem, eu volto já…” Pronto! Todos e entreolharam e na mesma hora esqueceram dos infortúnios do Zé e comemoraram o achado: estava definitivamente encerrada a disputa pelo nome do bloco.

No carnaval de 95, estreava o Bloco “Meu Bem, Volto Já”, com Elke Maravilha de rainha, a bateria dos Aventureiros do Leme e como homenageada especial a agora ex-esposa do Dr. Zé Armando, que havia se separado dele mas se transformara, mui justamente, na verdadeira e única musa inspiradora do bloco de rua mais quente do Leme.

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Sobre o Autor

Marcio Paschoal

Marcio Paschoal

Escritor, economista (nem ele mesmo sabe por quê), letrista (com Ruy Maurity), crítico e pesquisador musical (autor da biografia João do Vale), é carioca, escreve em sites, jornais e publicou romances, contos, crônicas e ensaios.

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