Crônicas

Impeachment e o “sim” do deputado e repentista que foi uma negação

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Vocês viram ou ouviram?! Ou ambas as coisas?” Eu, para a minha felicidade, confesso que nesse exato momento estava dormindo. Por que adormeci? Não achei graça alguma nesse circo “impeachment”. Os palhaços contavam piadas que eu já sabia de cor e salteado (nada a ver com “assaltado”, disso eles entendem muito bem).

No outro dia, ainda achando que tudo não passava de um filme ruim, a Hora do Pesadelo, com o Eduardo Cunha no papel de Freddy Krueger, eis que me deparo com essa “pérola” poética do deputado Pedro Cunha Lima acunhando a poesia e botando sem cuspe no poema. Menino! Esse é um poeta de “corpo inteiro quebrado”! Por que de corpo inteiro? Ora, porque erram aqueles que dizem ter os versos do seu – dele – “poema” apenas um “pé quebrado”. O deputado é mais um gênio da raça! Quebrou todo o corpo do “poema”!

 

Vocês por aí já ouviram falar num poeta parahybano apelidado de Caixa D’água, aquele do antológico verso “quando a minha mãe se abruma”? Pois bem. Duvido que fosse capaz de fazer pior. Acreditem. O sujeito para fazer versos assim como fez o Cunhinha precisa ter vocação. E ele tem. Só que acho que no meio desses versos “cabeça, tronco e membros” quebrados que ele pensou ser um poema, um Repente ou coisa parecida, conseguiu fazer uma das mais pobres e quebradas rimas da história dos repentistas verde-amarelos.

Repentistas verdadeiros, como, por exemplo, Oliveira de Panelas e Ivanildo Villanova, devem nesse momento estar pendurando as suas – deles – violas. Não suportaram ver a sua – deles ainda – arte transformada em tamanha artimanha. Ora, fosse apenas ruim até que daria para fazer de conta que o “Repente” passou mais que de repente, como diria o poeta Vinícius de Moraes. Mas o “menino” nasceu mesmo vocacionado para o péssimo no que se refere ao Repente. Pausa. Ou mesmo não sendo assim tão de repente. Para escrito também.

Eu, sinceramente, aproveitaria o final dos seus “antológicos versos” declamados nesse momento histórico para dizer que estava votando por todos os galos de Campina, curiós, papa-capins e azulões. E ainda para melhor aproveitar os meus 15 minutos de fama, ou quem sabe a oportunidade de despontar para o anonimato, no final da minha declaração de voto teceria um breve comentário sobre a “influência dos raios solares na menstruação das borboletas”. Faria mais: no fundo, no fundo, bem no fundo, mandaria todos tomar… Esqueçam. Por enquanto.

Mas, passada a euforia dos primeiros versos, capricharia nos próximos, mesmo sabendo que era impossível fazer versos piores, para declamar nos muitos minutos dos 15 minutos que o sacana do Eduardo Cunha lhe roubou. Agora que os versos deveriam entrar para a história dessa votação, não tenho a menor dúvida. Serviriam esses como exemplo para que outro candidato ao anonimato não cometesse o mesmo erro. Rimar alhos com bugalhos mesmo não sabendo o que vem a ser essa merda de bugalhos. Sorri e muito. Gargalhei. Apesar do “sim”, esse Deputado é por aqui uma negação. E acho que por aí também.

Em tempo: eis a pérola.

 

“Na exigência do respeito
Que carrego por efeito
Da confiança em mim
Voto pela mudança
No compasso da esperança
Vamos em frente com a força
Voto sim”
– Pedro Cunha Lima

Comentários

Print this entry

Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

Obrigado por visitar o nosso site.

Facebook
%d blogueiros gostam disto: