Crônicas

Ir ao cardiologista – ou talvez a um terapeuta

Francci Lunguinho
Escrito por Francci Lunguinho

Acabo de voltar do médico. Cardiologista. Não sei por que tenho a sensação que a minha ida hoje ao médico significa que estou ficando mesmo velho. Não é que eu não queira ficar velho. Mas, parecer velho me deixa ansioso, e ficando ansioso sinto medo de ter uma crise de pânico. Apesar de meu cardiologista ter conversado pacientemente comigo, medido a minha pressão por duas vezes e feito um eletrocardiograma, e me garantido que até ali estava tudo bem, preferi que ele recomendasse mais exames. Todos os exames que ele achasse necessário. Sugeri.

– Pede todos que você consegue lembrar agora, Dr. Marcelo – foi o meu comentário antes de ele me olhar e, mesmo sorrindo, querer me expulsar do consultório.

Agora estou aqui, com uma lista de exames para fazer e não estou conseguindo pegar o telefone e ligar para o laboratório e marcar. Como não consigo resolver algo tão simples? Vem-me a ideia que isso pode ser uma crise de pânico, e torno-me a sentir medo. Ter medo pode significar que algo está acontecendo comigo e cogito se já não sou um fóbico. Claro que ainda não! Mas é bom ficar de olho.

Já quase aconteceu antes. A sensação é ruim. O desconforto por algo desconhecido tomando conta da gente fica muito evidente. O suor frio, as mãos geladas e as dores se espalhando pelo peito, são só algumas das manifestações que o corpo sente. Mesmo fazendo um esforço tremendo para acreditar que tudo não passa de uma reação emocional oriunda de fatores psicológicos, a gente briga para manter a mente ocupada e se convencer que tudo vai desaparecer.

Mas, não é bem assim que a banda toca, meu caro!

Recorro às minhas lembranças para indagar sobre esse meu medo. Descubro que sou, até certo ponto, um cara forte e equilibrado e que facilmente resolvo sozinho alguns conflitos. Fico contente pelas vezes que fui desafiado e submetido aos testes do dia a dia e os enfrentado e os vencido. Não me regozijo disso, claro, mas imaginando-me assim garante mais algumas horas de alívio.

Olho para o telefone e resolvo ligar para o laboratório e marcar os exames. O coração acelera de novo, daí resolvo esperar um pouco mais. Não sei dizer se é medo o que sinto agora. A solução, talvez, fosse alguém ligar em meu lugar. Talvez seja uma atitude desesperada. E não quero parecer doente agora. Afinal, o que tem de mal nesses exames? Já estou acostumado com esforço físico, por isso posso passar pelo Teste Ergométrico facilmente; tenho uma respiração limpa, meu pulmão aparecerá bem na Radiografia de Tórax; posso até ficar um dia em jejum exigido para os 17 procedimentos laboratoriais. Simples, né?

Vou ligar, ainda hoje vou ligar.

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Sobre o Autor

Francci Lunguinho

Francci Lunguinho

Jornalista, radialista e Editor do portal Crônicas Cariocas.
Amante do jiu-jitsu, corridas de rua e cães. Também é editor da web rádio www.radiomatilha.com.br

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