Crônicas

Jogos Paralímpicos: Goalball

Jogo paralímpico: goalball
Bia Mies
Escrito por Bia Mies

Eu não sabia o que era Goalball até resolver comprar ingressos para assistir aos jogos paralímpicos. Um futebol diferente; o intuito é o mesmo, fazer gols, mas são apenas 2 tempos de 12 minutos cada e três jogadores em campo. Vendados. Ajoelhados e deitados no campo para defender as quatro traves às suas costas. As tentativas de marcar o placar devem ser arremessos que, obrigatoriamente, toquem a parte da quadra do time em posse da bola, antes de tentar driblar a defesa do time oponente. E as regras continuam…

Tive o prazer de assistir as finais da disputa pelo Bronze, ambas com a seleção brasileira em campo. No primeiro jogo, feminino, o Brasil perdeu de 3 a 2 para os Estados Unidos. Até agora não entendi o motivo das duas penalidades que nos fizeram perder os dois pênaltis que sofremos; no segundo jogo toda a plateia, acredito que por se sentir mais entendida da modalidade, pode não se conter tão facilmente. Foi um jogaço acirradíssimo contra a Suécia. Por ser um jogo para deficientes visuais, é necessário silêncio, pois a bola possui uma espécie de sino interno que permite aos jogadores perceber sua posição. A Suécia fez 1, 2, 3 gols no primeiro tempo. Desses três, dois foram penalidades, pois um dos jogadores verde e amarelo falou enquanto arremessava. O outro, francamente, não me lembro. Nenhum ponto para o Brasil. No intervalo, a nossa plateia medalha de ouro mudou o rumo do jogo: um rapaz atrás de mim começou sozinho um “Eu acredito!”, que foi logo replicado por todos os torcedores. Começa o segundo tempo e lá vem 1, 2, 3 gols em cima da Suécia! Um sendo cobrança de pênalti por bola alta dos nossos adversários. Tudo era só felicidade na Arena do Futuro, eis que levamos um outro gol. 5 segundos depois, lá vem o gol de novo empate. 5 segundos!! A torcida foi a loucura e na sequência fez-se necessário parar o jogo algumas vezes para que a plateia respeitasse o silêncio. 4 a 4. Prorrogação, duas delas. Quem fizer ganha. E é…. ponto do Brasil!!!!!!!

Não sou de entender regras esportivas, mas gosto de estar numa competição e torcer. E vibrar. Foi incrível o que esses atletas fizeram em campo. É incrível quando damos a oportunidade a todos. Ninguém é deficiente na vida. Todos somos deficientes em alguma coisa, as vezes em ouvir, as vezes em falar, andar ou ter paciência. Mas quando todos somamos nossos pontos fortes, somos todos um só coração, um só grito. Todos campeões.

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Sobre o Autor

Bia Mies

Bia Mies

Carioca, nascida em 1988, de origens itaiana-suíça-portuguesa, cronista, artista, arquiteta, atriz, urbanista; do mundo...
Esta autora escreve aos Domingos.

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