Crônicas

Lembranças, lembranças, lembranças… Como esquecer?

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Tem umas coisas nesse mundo de meu Deus, como diria a minha saudosa mãe Dona Chiquinha, que por mais boa vontade que tenha de ficar calado, mudo e fazendo de conta que mudo ele é capaz de mudar alguma coisa, o sujeito não consegue aceitar. Faz tempo. Não tanto assim. Mas faz. Lembro-me que naquele ano, embora o Governo egípcio tenha proibido as egípcias a continuarem pagando pelo “despinguelamento” que, trocando em miúdos, é a circuncisão feminina, elas insistiam na prática. Por que o proibiu? Triste: uma menininha teve o seu – dela – cortado de maneira errada, pegou uma inflamação e morreu. Ele não. A menina.

E sabem por quanto saía uma – sem gozação – circuncisão feminina por aquelas bandas? Em torno de nove dólares”. Por aí. Ó Natal! Se achei barato? Não. Nem achava “um barato”. Uma tortura. Achava. Uma violência sem par nem impar contra a mulher. Também achava. Acho. Numa época em que todos gozam entre si – podemos chamar essa de “época da suruba” – e assim querem continuar por muito tempo gozando, alguém pagar para não gozar é o maior dos crimes. Sei não. Mas torço daqui para que por aqui isso nunca aconteça. Hoje quem goza mesmo com a gente é o Renan, esse dos “calheiros roxos”.

Na sei se um dos meus dois leitores já prestou atenção. Eu? Faz tempo. Notei que muitos papais-noéis modernos como papel higiênico que se pode usar nos dois lados, posam em nossas lojas nas mais deferentes posições. Uns até de quatro. E como são diferentes! Tem ainda aqueles que rebolam mais que o Delfin Neto descendo a rampa do palácio. Outros velhos e chatos que rebolam a bunda como se isso fizesse duplicar o dinheiro por esses roubado do povo e aplicado nas letras do Tesouro Nacional.

Na Alemanha, naquele não tão longe Natal, o problema, se é que assim ainda posso chamar era mais sério ainda. Tô lembrado daquele Natal. Por lá uma grande rede de lojas foi obrigada a retirar essas miniaturas – as de Papai Noel – de suas prateleiras porque alguns fregueses disseram que eles pareciam estar fazendo aquela saudação nazista. A do braço direito estirado e a boca ensaiando um Hei Hitler que alguns imbecis ainda insistem em adotar por aqui e em alhures. Outro dia, vi um bichinho desses por aqui que era a cara do Jair Bolsonaro. Mas, até agora, pelo que fui informado ninguém disse nada.

Chegando o fim de ano e o Natal já vestido para a noite de muita cachaça e hipocrisia, lembro uma nota triste que quase ninguém notou na tristeza que ela trazia.  O Joel Silveira, o “víbora”, como um dia lhe apelidara o Assis Chateaubriand, nunca aceitou receber os famosos tratamentos para o câncer de próstata que acabou o levando a trocar de roupa e se mudar para outra cidade, aos 80 anos. Agora, do fato consumado, lembrava que o meu amigo Livardo Alves, o compositor da imortal “Marcha da Cueca”, vitimado pelo mesmo mal também recusou até a partida tratar o mal que o vitimaria. Triste, não?

Até quinta, Isabelas!

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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