Crônicas

Lula foi mais um “herói” que se desmanchou no ar

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Se faz muito tempo? Não. Um mês. Pausa. Dois meses. Por aí. Somente sei que faz um bom tempo que escrevi neste espaço carioca de tão boas crônicas, sobre o meu encontro com um Lula ainda que “via, ouvia e sabia de tudo”. E, se não bastasse, Lula ainda posava, sem que ninguém desconfiasse, de o “homem mais honesto” desse mundo do meu Deus. E hoje, uma simples “operação”, essa que lhe abre o peito de medo e dor, chamada de Lava jato, não consegue limpar a sujeira que deixou nem a que carrega consigo.

Nesse dia não muito distante, Lula ainda começando a mostrar o Lula em que se transformaria, como de fato se transformou, ele e alguns “bons companheiros”, muitos hoje famigerados, aportaram na minha “terra brasilis”, essa chamada por mim de Jaguaribe. O meu bairro. A minha pátria. Até ali, também contei no espaço citado, nada de novo no front.

A minha alegria, porém, eleitor de carteirinha do “sapo barbudo”, me invadiu ante a possibilidade de conhecer a “fera” de perto. Ora, Lula era o defensor dos fracos e oprimidos! E se não era fraco, pois fraco nunca fui, os meus sabem, sentia-me assim um tanto parte dos oprimidos. Ainda nessa época não muito distante, lembro-me, estava naquela de encontrar um “herói” para o meu país, esse que se transformara em uma ilha cercada de ladrões por todos os lados. Esperávamos um herói!

Pois é. Muito triste eu me sentia. Afinal, sou parte de um povo que infelizmente ainda precisa de herói. Era um contumaz leitor desse pensador arretado, Brecht, sujeito que pensava como poucos. Também nem de longe passava pela minha cabeça que esse novo herói, assim como os ídolos, também tinha os pés de barro e monossílabo cheio de hemorroidas. Pausa. Foi assim mesmo. Lula acabava de aportar por aqui, vindo lá das bandas de Pernambuco.

Naquele dia, pensei com os meus botões, naquela época, mais osso do que carne: acho que estou vendo o “herói” que vem para salvar a princesa prometida a Zé da Silva e representante do meu verde-amarelo povo do Dragão da maldade! Sem duvidas, Lula era o nosso Santo e Guerreiro!

Hoje, anos passados e anos outros que ainda passarei com a permissão do meu Deus, esse que tenho certeza não ser o mesmo deles, isto é, do Lula et caterva, pois o meu Deus detesta ex-crotos, pulhas, sacripantas e outros dessa espécie, vejo a merda (sic) em que estar metido esse “herói” que um dia encontrei por aqui, disposto a salvar a nossa princesa da feiticeira do mal.

Não é por nada, não é, ora não é mesmo! Mas, como dizia dona Chiquinha, a minha mãe, essa que se foi sem nunca ter cometido o erro de votar em um sacripanta desses, pois nunca votou, se arrependimento matasse eu não morreria sozinho. Por quê? Ora, muitos morreriam comigo. E outros, se não morressem nessa oportunidade, estariam morrendo mais tarde desse mesmo mal: o arrependimento.

Agora, por favor, não pensem que eu gostaria de ouvir dessa boca por onde muita cachaça entrou e desceu garganta abaixo uma “mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa”, aliviando assim esse coração sofrido. Não gostaria de ouvir, por exemplo, “1berto, meu amigo, confesso que me perdi o caminho, ou melhor, sai do caminho que um dia pensei em seguir, peguei o atalho, fui atraído pelo canto dourado da sereia de ouro e roubei, corrompi e fui corrompido”. Não gostaria.

Ora, sai pra lá Lulinha, teu tempo de paz e amor há muito que se tornou um tempo perdido. E, mesmo sabendo que nunca ouviste falar em Marcel Proust, pois, segundo os teus colegas, leste apenas um livro em tua vida e não foi esse dele, não adianta agora correr feito louco em busca desse tempo. O meu tempo é hoje, Lula, e o teu, esse que perdeste contando mentiras naquele dia no barzinho da esquina, aqui na minha pátria e capital da Parahyba, já passou.

Sei também que és muito bom em desculpas. Mas, hoje, felizmente, as tuas desculpas não mais enganarão esse povinho que te recebeu como herói. Nesse momento lembrei-me do Benjamin Franklin, um cara que poderia ter sido um exemplo para ti, vez que não tiveste a felicidade de encontrar entre os teus um exemplo e acabaste sendo um péssimo exemplo para eles, se isso fosse possível, dizia que “Pessoas que são boas em arranjar desculpas raramente são boas em qualquer outra coisa.” E tu eras.

Outro dia, leitor voraz que sempre fui, lendo uma ucraniana mais brasileira do que muitos brasileiros que conheço, sobretudo esses ex-crotos que se aproveitam a inocência do seu povo para mentir, roubar, corromper e ser corrompido,Clarice Lispector, achei bacana a parte em que ela dizia que “se você errou, peça desculpas”. Mas não ficava por aí. Pedir desculpas é besteira. Também não te desculparei. Nunca. Em seguida, ela perguntava: “É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?”.

Pois é, lula, é assim que vou terminar as minhas mal-traçadas. Não te perdoando nunca. Se estou puto contigo? Ah, e com todos os teus, Lula, com todos! Ou, vejas lá, com esses que foram teus um dia. Puto, lula, e puto mais ainda porque ainda iremos passar muito tempo precisando de herói. O pior? É que esse herói poderá tomar o Lula em que te transformaste como exemplo.

Até quinta, Isabelas!

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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