Crônicas

Lula Lá Sabia de Negociação: “Você sai com uma boa vantagem ou com o empate”!

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Depois de uma boa limpada de olho, vendo tudo, mas sem ficar calado e fingindo ser mudo, porque assim eu não mudo, volto as minhas leituras prediletas. Dessa vez pedindo socorro à memória. Nada de “decoreba”. Tudo escrito. Lido. Firma reconhecida. No entanto, considerando ser este o país do esquecimento, sem negar a minha condição de brasileiro “como muito amor”, pedi o auxílio luxuoso de velhos jornais.

Volto ao passado. A memória vai buscar um Lula que não sabia nem confessava ser o “homem mais honesto deste mundo”. Hoje, porém e ai porém, como no samba de Paulinho da Viola, por mais que se queira negar Lula é um homem prestes a entregar o jogo no primeiro tempo. Nada de “delação premiada”. Seria um prêmio imerecido. Lula não merece. Eles não merecem. Lula e a sua turma. Pausa. Nada preciso saber via Rede Globo. Vejo melhor sem ela. Ainda não chegou para mim o tempo de ser ver melhor por ali.

Alguns dos colegas deste maravilhoso espaço carioca-cronístico deve saber. Não me furtei (epa!) em confessar que um dia, aqui na minha capital da Parahyba, dividi com eles, o Lula et caterva, algumas cervejas geladinhas de fazer gosto. Também provei – ele mais do que eu – doses saborosas das melhores cachaças deste país de muito carnaval, pouco suor e sem “malvado preferido” como chamaram um dia o ex-croto (sic) Eduardo Cunha. Lula, acredito, talvez mesmo levado pelas doses exageradas dessa água que passarinho – nada a ver ou beber com o Jarbas – não bebe, nem se lembre mais. Eu me lembro. E como!

Lembro-me bem daquele dia em que Lula se arvorou a falar em honestidade e disse ser o “homem mais honesto” deste mundo do meu Deus! Ah, assim mesmo diria a minha mãe Dona Chiquinha: “Mundo de meu Deus!”. Lula não temia que “imagem” por ele construída, ele et caterva, poderia ser um dia desconstruída assim tão de repente. Nunca! Vivia Seguro disso. Muito. Tudo muito tranquilo. Pensava. Pensavam. Eles e a sua – dele – “caterva”.

Achavam que tinham nas mãos sujas de petróleo ou não, Lula e a caterva dele, essa da qual acabei de falar, uns vinte ou trinta ou mesmo enta anos um Governo em que a vaca verde-amarela só descansaria as tetas quando leite nenhum mais tivesse para dar. Nem para os seus bezerros! Filhos legítimos. Meu Deus! Dou a mão à palmatória: fui um dos muitos eleitores deles! Lula e Dilma! Meu Deus!

Sou de um tempo em que ouvia cheio de esperança esse Lula com quem tomei umas boas doses de cachaça – parei, ele não conseguiu, infelizmente – dizer que o seu partido, O PT, teve como principal motivação para a sua criação“Transformar o Brasil”! E o seu projeto de alcançar a presidência, como aconteceu por duas vezes, não “Era o ponto de partida, mas chegada”! Beleza, não? Nada de medo. Naqueles tempos era só esperança.

Hoje, o olho direto mais limpo do que nunca, vejo que Lula chegou ao ponto que queria. Ninguém duvida. O Lula de agora, esse que gritou ter “aquilo roxo”, bravata, nada mais do que isso, conseguiu “Transformar o Brasil”. Hoje vivemos no país da corrupção e da “delação premiada”. Essa em que os premiados não merecem o prêmio que pelas suas sacanas traições estão recebendo.

Pouco ou nada – acho mesmo que nada – existe daquele Lula em que votei. Duas vezes. Meu Deus! Aquele que disse um dia num dos muitos congressos que inventava em nome de sua CUT – que tem CUT, não tem medo? -, em são Paulo, que “Se alguém, em algum momento, teve vergonha do que foi – foi um bom presidente até se entregar ao canto da sereia de cabelos de ouro -, eu não tenho. Não tenho vergonha do que fui – também não teria -, não tenho vergonha do que sou – ah, eu teria e muita – e não tenho vergonha do que serei”. Nesse segundo caso, considerando que de ex-presidente ele pode passar a qualquer momento a presidiário e depois ex, também teria.

Ah, Maria! Me dê memória! Dê memória ao Lula! E se dar memória não for possível, dê-lhe o perdão!

E como esquecer aquele dia em que Lula deu uma bela aula sobre o “objetivo” das negociações do seu Governo? Simples: “Uma negociação é muito simples: senta-se à mesa, coloca-se a oferta de lado, regateia-se daqui ou dali, e você sai com uma boa vantagem ou sai com o empate”! Beleza! Lulinha é mestre na arte da negociação! Um craque que nunca – pelos menos até agora – jogou para empatar. Venceu todas! Em negociação – por enquanto esse é o placar: está livre, leve e solto! – Lula mostrou que soube regatear com o Partido os lucros que com ele – o Partido – conseguiu amealhar. Dói aqui, acreditem, dói muito!

E falando para os governadores recém-eleitos sobre a arte de “levar vantagem em tudo”? Tão lembrados? Tudo bem. Sei que é difícil ficar aqui lembrando e pesquisando o que o falante Lula deixou pelos caminhos da minha memória. Dessa vez, porém, lembro-me bem. Nesse dia Lula chamou a atenção de governadores recém-eleitos, em Brasília, para que nenhum procurasse tirar “muita vantagem”- ele disse assim mesmo “muita”- um do outro e de outrem. Uma beleza! Lembremos a sua lição: “Cada um cumpra com o seu papel, disse o falante e honesto Lula, para que nenhum fique sobrecarregado demais e para que nenhum leve vantagem demais.”!

Sentiram? Pois é. Sabia o Lula do que estava falando. Levar vantagem em tudo, ele e sua turma, aquela do et caterva, sabiam e sabem muito bem. Mas vantagem demais, eles não sabiam, leva a desconfiança. Foi o que aconteceu. Vantagem demais eles levaram. Tanta que humilhou até o Gerson, o “Direitinha coco”. Estranharam? Nenhum estranhamento. Comigo nunca teve essa “Esquerdinha de ouro”. Nunca! Gerson sempre foi para mim um Midas ao contrário: tudo que ele tocava virava merda.

Sobre o Lula hoje um tanto abandonado, chorando por muitos mas nunca por mim, prejudicado por não ter sabido escolher a sua sucessora, como recentemente confessou, fica sua lição de que “Essas coisas não podem ser feitas de forma atabalhoada, porque às vezes o prejuízo é maior do que o benefício que a gente pensa – não acredito que pensassem – estar dando ao povo brasileiro”.

Estranho, não? Também achei. Só uma ressalva para ressaltar (sic) essas minhas “lembranças lulísticas”. No caso em questão, Lula se referia ao trabalho apressado, quando da assinatura de ato de financiamento do compulsório do medicamento do Efavirenz, em Brasília, no dia 04/05/2007. Mas, com as datas vênias concedidas pelos meus dois leitores, acho que o sábio pensamento de Lula, o Conselheiro, pega muito bem em se tratando hoje das maracutaias petistas.

Um rosebud para todos!

Comentários

Print this entry

Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

Obrigado por visitar o nosso site.

Facebook
%d blogueiros gostam disto: