Crônicas

Luzes, festa, retrospectiva e transformação

Bia Mies
Escrito por Bia Mies

As luzes das cidades na noite da véspera de natal são deslumbrantes, quando se pode observá-las sem as multidões que vão e vem ao sabor das compras em cima da hora. Os ânimos estão em polvorosa: é a sensação mágica do natal. Embrulhados em papel bonito, envelopes ou caixas arrematadas por laçarotes, os presentes e cartões são a mensagem de que, mesmo simplórios, não esquecemos daqueles que amamos. O natal é o espírito do melhor que temos em nós.

Enquanto transita-se entre lojas e calçadas abarrotadas de gente, os cardápios para a grande ceia já foram rascunhados e iniciados; as casas colorem-se de verde, vermelho, branco, prata, dourado, enquanto os corações se renovam de paz, amor e felicidade, a busca constante por todos esses sentimentos e o cuidado com a sua manutenção.

Quais serão seus votos frente aos presépios, árvores, guirlandas e aquele aroma nostálgico da cozinha da sua avó Austríaca preparando biscoitos? O que você espera receber do bom velhinho?

A lareira que dei vida para decorar a casa dos meus pais me faz pensar; seu fogo crepitante de led e papel celofane me levam para… 2017. Particularmente, foi um ano de muitas provações. Desafiador, instigante, alucinante, difícil e confuso. Mas, acima de tudo, um ano que iniciou grandes mudanças em mim: estive presente em momentos memoráveis de amigos que estão fisicamente distantes; me lancei em novos planos sem muito ter planejado. Fiz amigos. Falhei com uns, aproximei-me mais de outros. Conheci e experienciei mais profundamente uma cidade que, se for para ser, será meu pouso em 2018. Pessoas inesperadas reapareceram, e foi bom; pude estreitar os laços que estavam frouxos e aparar algumas arestas que a vida fez surgir. 2017 me deu forças quando eu senti não as ter. Minha retrospectiva é um grande sorriso contemplando o que tem abaixo do patamar da escada em que me encontro, consciência do amadurecimento e da busca constante pela concretização dos sonhos e, mais do que tudo, da pessoa que estou hoje (ser, é diferente de estar).

Hoje é 24 de dezembro; além dos preparativos para a data mais importante do calendário cristão – e também comercial -, é aniversário da Mia, a integrante de quatro patas da minha família, o ser mais especial que conheço. A representação de lealdade, amor e proteção sem limites. 24 de dezembro caiu em um domingo; é fim ou início de semana, dependendo do ponto de vista. É fim de ano, é fim de um tempo, é fim de tanta coisa… um fim repleto de comemorações e amadurecimentos. E (re)começos.

2017, seu ano matreiro, você está tomando juízo! Apesar do que tudo indica, tal qual uma larva, você não chega ao fim: vai de pulpa para se tornar borboleta. Suas asas serão vaporosas e, pouco a pouco, a natureza encarregar-se-á de arremeter seu vôo. E quando isso acontecer, 2017, serás um bom 2018! Desejo que aprecie cada paisagem pela qual passar; que sinta os perfumes únicos de cada e toda flor pela qual se aproximar. E que voe cada vez mais e mais alto, sem medo de voltar a superfície.

As luzes das cidades na noite de natal devem ser ainda mais lindas se contempladas assim, do infinito e além.

Feliz Natal a todos. Parabéns a minha Mimi. Um transformador 2018 a cada um de nós.

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Sobre o Autor

Bia Mies

Bia Mies

Carioca, nascida em 1988, de origens itaiana-suíça-portuguesa, cronista, artista, arquiteta, atriz, urbanista; do mundo...
Esta autora escreve aos Domingos.

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