Crônicas

Mágica na Serra

Bia Mies
Escrito por Bia Mies

“Toque o sino”

Na entrada do sítio, o toque para um mundo mágico.

Como em um passe de mágica, você está imerso em uma atmosfera de tranquilidade e um muro de pedras alaranjadas com torres lhe observa, o cenário é a estrada em meio ao verde. Do outro lado da via, um café em paredes de vidro. Esculturas fantásticas lhe esperam no Jardim do Nêgo, ali instaladas desde 1988, coincidentemente o ano do meu nascimento. Em Nova Friburgo, na Friburgo-Teresópolis, um artista simples e de muito talento e simpatia abre as portas de sua casa para visitantes e também gatos e cachorros sem dono. Casa que está sendo reconstruída no segundo andar de uma estrutura metálica, cujo térreo, uma espécie de galeria, irá expor os trabalhos do artista em materiais como madeira e papel. Suas criações em barro de grande escala saem das pedras com uma delicadeza e naturalidade geniais, seduzindo a todos que vislumbram suas formas curvilíneas. Tartarugas, mulheres, elefantes, idosos e sereias, sapo e Bebezão, Presépio, baleia e a maravilhosa e expressiva Índia Potira em trabanho de parto compõem o museu a céu aberto do artista. Se der sorte, poderá subir uma escada e se deparar com obra e criador, artista em processo de trabalho e criatura em manutenção.

Mágica na Serra

As esculturas de Geraldo Simplicio

Registrar um momento desses é sair transformado; o artista não pousa para fotos durante seu momento artístico… Estar cara a cara com Geraldo Simplicio, trocar algumas palavras e quem sabe até alguma conversa é como ler um livro que nos prende a atenção e a respiração, na tentativa de não deixar escapar nenhuma palavra… Nas chuvas de 2011, duas outras esculturas do acervo foram destruídas – junto com a casa principal -, mas podem ser apreciadas em fotografias ao final do percurso. No quiosque em que as fotos são vendidas, assinaturas de visitantes e álbuns de fotografia podem deixar o seu dia mais doce, ao encontrar com o sr. Nêgo e lhe elogiar o cachorro. “Quando ele chegou era assim, oh… aparecem na minha porta e eu os deixo entrar… os cachorros me escolhem e eu os acolho com amor e carinho. Curo suas feridas e em gratidão eles me retribuem com amor incondicional. Tem a gatinha também, antes eles não se davam, agora dorme um em cima do outro…” Quando você acabar de folhear o álbum com as fotos dos bichinhos e ele lhe contar que os que se foram ficaram enterrados por ele no Jardim entre as obras, chega a vez do álbum de capa de couro, com obras do artista. Papo para lá, papo para cá, você diz que é Friburguense e que já esteve lá há muito tempo, numa visita da escola. Ele pergunta qual é o colégio e você diz. E então o terceiro álbum de fotos é aberto e ele pergunta se quer a lupa para ver se você se acha entre as crianças da foto. “Essa turma é um ano mais nova do que a minha! Que legal! Olha só, meu primo… a irmã da minha melhor amiga…!” E então um misto de felicidade e inveja se mesclam e você deseja ter uma foto sua ali, entre aquelas recordações tão valiosas. E chegam novos visitantes, o artista se despede e você o surpreende por alguns instantes: “o senhor se incomodaria em tirar uma foto comigo?” E um sorriso se abre entre os três olhos artísticos, os dois humanos e o terceiro, acessório.

Mágica na Serra

Bia Mies e o escultor Geraldo Simplicio

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Sobre o Autor

Bia Mies

Bia Mies

Carioca, nascida em 1988, de origens itaiana-suíça-portuguesa, cronista, artista, arquiteta, atriz, urbanista; do mundo...
Esta autora escreve aos Domingos.

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