Crônicas

Melhor nadar contra a corrente a rolar pela cachoeira!

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

por Humberto de Almeida*

Viver é o que nos resta!

A frase ficou na minha cabeça. Dançou. Dança ainda. Marca passo. O “viver” da frase em especial. Na mosca: tenho andando assim. Nada de “mais ou menos assim”. Andado como quem estar sempre um dia atrasado na alegria. Mas não diria atrasado na vida. Com essa estou em sintonia. Sempre.

Passos certos. Nem um fora do batalhão dos pés. Assim sigo caminhando como se todos os caminhos abertos por esses pés – os meus – terminassem dentro de mim. Terminasse ali onde a gente mergulha e se não souber respirar no ritmo do coração acaba morrendo afogado.

Morrer afogado?! Na verdade eu nunca me afogo. Sei nadar. Aprendi com os mares e rios. A corrente? Pouco importa. Se contra ou favor não estou nem ai. Nem lá. Nado. Nado. E… Nada mais faço. Mesmo que algumas vezes seja preciso nadar contra corrente. Pausa. Também aprendi que é preferível mil vezes nadar contra a corrente a rolar pela cachoeira.

Vergonha? Desculpe-me o bom Gonzaguinha. Nunca parei para pensar nessa besteira de “viver e não ter a vergonha de ser feliz”. Não tenho! Mas, afinal, porque viver e ter vergonha de ser feliz? Medo de ser feliz?! Medo de viver?! Teria vergonha se medo de viver e ser feliz eu tivesse.

A vida não tem essa de te dar oportunidade duas ou mais vezes de começar de novo contando contigo ou com os outros.  A vida é uma só.  Nada de sete vidas como se gato tu foste. Tem mais: as sete vidas que dizem ter um gato não valem uma só bem vívida. Não quero ter sete vidas. Não. Mas uma que valha por mais que as sete vidas que dizem ter o gato.

Viver sem vergonha de viver. Feliz? Ser feliz é conquista. A vida seja ela dez, cem ou mil viverei sem vergonha, desde que seja feliz. Assim viverei. Uma só. Viverei – como vivo! – como se essa fosse a única vida que temos para mostrar que vivemos. Mostrar que passamos por aqui deixando pegadas que, mesmas reconhecidas como sendo nossas são diferentes de todas as outras que outros também deixarão.

Esse sempre foi que restou das minhas palavras. O silêncio. Tudo o que me restou dele é impossível descrever com palavras. Mas, se a vida vai por um caminho, viver vai por outro. Sem brigas. Unidos. Inseparáveis. Assim como tico e teco e o ping e pong.

Estou vivendo. Sigo. Nem de longe penso em ter vergonha de ser feliz. Pausa. Nem de perto. Não estar/ser feliz é onde reside a vergonha. Os infelizes não vivem. Eles pensam que vivem. Apenas. E na arte do encontro de infelizes nada tem de arte. Tudo cópia e farsa. Apenas.

Decidi: não viverei o que me resta da vida. Por quê? Porque não vivo deixando restos de vida na minha passagem. Difícil. Mas aprendi a dividi-la de forma que resto nunca deixe. Nunca! Compartilho-a. Assim faço. Mas somente com aqueles que, assim como acontece com o meu silêncio, aprenderam a ser cúmplices com ela.

Até quinta, Isabelas!

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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