Crônicas

Mensagem à diretoria, aos alunos, ex-alunos e a todos que fizeram parte da história do ESI

Bia Mies
Escrito por Bia Mies

Um entre tantos rostos. Abraços, sorrisos, brincadeiras, brigas, lágrimas, pazes. Atitudes e identidades que foram moldando a personalidade e as várias pessoas que somos. Pedra, vidro e madeira na fachada, as cores marrom, amarela, azul e vermelha. O hino nosso de cada sexta-feira. As medalhas conquistadas e as que não conseguimos nas Olimpíadas. Os desfiles de 16 de maio e 7 de setembro. As festas juninas, a pracinha – extensão de nosso pátio -, o sino que marcava início /fim das aulas… Os intervalos, ditos recreios, jamais serão esquecidos naquele amontoado de alunos agasalhados no cantinho da quadra, no inverno, tentando unir calor humano aos últimos vestígios de sol, um aquecimento em conjunto. Muito menos no sabor dos lanches comprados na cantina e compartilhados com aqueles que traziam alguma coisa de casa. Na diferença de minutos que diminuía os abraços – e até mesmo beijos escondidos – e fofocas entre alunos de séries mais avançadas e os demais, relis mortais que mal sonhavam com o vestibular.

O terceiro ano e aquele sentimento de ser parte dos que reinam sobre a escola; estar o tempo todo no colégio, descer mais cedo para o recreio; os meninos jogando basquete em metade da quadra, duas turmas que desceram fantasiadas no dia de carnaval, a festa de aniversário às escondidas para uma professora muito querida…Totó, ping-pong, sala de espelhos, corredores, salas de aula, auditório, mundo azul, o anexo, que até então era novidade, com biblioteca, laboratórios, o cantinho do TESI…

Do Externato Santa Ignez, ao longo de 12 dos meus anos de vida, levo o melhor de mim: a boa aluna, as virtudes de atriz, de arquiteta e de escritora. Lá aprendi a interpretar textos, a pontuar corretamente, a traçar linhas a partir de um ponto de fuga, a declamar textos e encarnar alguns personagens da literatura e cultura brasileiras. Aprendi a fazer experimentos químicos, os nomes dos Estados brasileiros e suas capitais, a pintar telas, a calcular funções e também sobre o corpo humano. Amadureci desde o instante em que passamos a estudar de manhã, nós, recém adolescentes descobrindo as espinhas e o mundo. Fiz os amigos para toda a vida. Me apaixonei. Fiz as vezes de professora para amigos que precisavam. Dancei quadrilhas, fugi das aulas de educação física, fui o bumba meu boi, me apresentei em dias das mães, dos pais, cantei, fui baliza, dei autógrafos no “Um dia de Primavera”, recebi certificados e medalhas na Olimpíada Brasileira de Astronomia, condecoração da Marinha, fiz ginástica rítmica, teatro, pintura, fui ao Museu Imperial de Petrópolis, ao Planetário da Gávea, à Niterói, à Guarapari…

O meu amado e eterno ESI, em sua estrutura de “coração de mãe sempre cabe mais um” formou com maestria 22 turmas, desde 1962.  Mais do que turmas, constituiu uma imensa família. Os elos que ali se estabeleceram não se dissolvem facilmente. Pelas páginas do facebook, pelas ruas de Nova Friburgo ou por um acaso no Rio e até mesmo em Roma, percebe-se o quão fortes são esses vínculos, pessoas que parecem participar do nosso dia-a-dia, quando, muitas vezes, não nos encontramos por mais de uma década.

Não saberia dizer por onde começar meus agradecimentos. À direção, Hilda, Ronaldo, Yeda e Sonia, que ora se aposenta, minha eterna gratidão por colocar os momentos mais maravilhosos em minha vida: por me ensinar a ler – e aqui estendo os agradecimentos à tia Gi -, por fazer crescer em nós a curiosidade por tudo o que nos circunda, por nos fazer sentir vitoriosos – o que de fato nos fez -, por nos abraçar e puxar orelha quando precisamos, pelas incansáveis e tão necessárias horas de estudo, por todos os eventos, por todas as atividades extra curriculares. Por nos dar subsídios para descobrir quem somos. Por ser muito além do que a extensão da nossa casa, por fazerem parte de nossas próprias famílias. Irmãos de coração, mães por um carinho sem fim. Intimidade. Eu, particularmente,  serei para sempre eternamente grata. Nos palcos da vida existirá sempre um mundo azul com plateia calorosa; meus caminhos serão sempre um corredor aberto, que permite vislumbrar os arredores, sentir-se confiante e cumprimentar os conhecidos. As cores azul, vermelha e amarela estampadas ou bordadas em tecido cinza estarão sempre na memória com desejos escritos à caneta de um maravilhoso fim de ano dos amigos.

Meu coração vai estar sempre junto ao correio do amor, ansiando por novas declarações. Levarei o legado ESI para onde quer que eu vá.

Muito obrigada por tudo.

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Sobre o Autor

Bia Mies

Bia Mies

Carioca, nascida em 1988, de origens itaiana-suíça-portuguesa, cronista, artista, arquiteta, atriz, urbanista; do mundo...
Esta autora escreve aos Domingos.

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