Crônicas

Mistérios nem tão misteriosos

Claudia G. R. Valle
Escrito por Claudia G. R. Valle

Há fatos que me intrigam, mistérios de faz-de-conta que mesmo explicados à exaustão continuam me surpreendendo.

No Rio, assim que cai a primeira gota de chuva, aparecem na rua vendedores ambulantes de guarda-chuvas. De onde vem tão prontamente, e onde estavam estocados os guarda-chuvas? Serão os ambulantes mágicos como aqueles que tiram coelhos da cartola, só que usam guarda-chuvas no lugar de coelhos? Aliás, a comparação não é boa porque os mágicos não usam mais coelhos. Nem cartolas, que atualmente só tem a ver com futebol.

Todo mundo sabe que para emagrecer basta comer menos. Por que não emagrecemos?

Em que momento da história deste país, ser rico virou motivo de preconceito? Afinal, é o sonho de muita gente: basta observar o tamanho das filas nas loterias em véspera de sorteio polpudo. No entanto, qualquer cidadão de classe média que tenha uma vida melhorzinha é acusado de ser rico, e se há uma notícia em algum local que o imaginário popular considere descolado, os envolvidos quase sempre moram em imóveis de “alto luxo”, seja lá o que for isso. Não é crime, nem vergonha, ser rico, se o dinheiro foi conseguido honestamente.

Por que reclamar é tão mais fácil que elogiar? A pessoa pode ser cheia de qualidades, mas basta ter um defeito qualquer para os outros só enxergarem aquilo. Muito casamento acaba por isso.

Gooooooooooooooool! Onde será que eles arranjam tantos locutores esportivos? Porque, pela empolgação, tenho certeza de que em cada jogo importante pelo menos um locutor morre infartado. E como será a preparação desses profissionais? Fazem curso de canto para conseguir manter a respiração por mais tempo? Ou estágio no Jóquei Clube?

Por que algumas mulheres se sentem atraídas por homens não confiáveis, mesmo conscientes dos problemas que eles vão lhes trazer? Não poucas se enroscam com cafajestes, num comportamento irracional. Não é tão divulgado, mas vale também para qualquer outro gênero.

Por que as pessoas cantam no chuveiro?

Por que gostamos tanto de conhecer as previsões para o futuro, mesmo tendo certeza de que a maioria (ou todas) não tem fundamento? Muita gente lê sobre o que pode esperar de cada Ano Novo, mas quase ninguém se dá ao trabalho de comparar as previsões com os fatos reais. Numa véspera de eleição, um jornal do Rio publicou os prognósticos de quatro videntes. Como as previsões eram divergentes era impossível que estivessem todas corretas. Claro que só um “vidente”, provavelmente o mais sortudo, acertou o resultado.

Que fim levou a campanha “Salvem as baleias”? Desistiram, ou já salvaram todas?

Por que, mesmo conhecendo a explicação para várias dessas coisas, continuo considerando-as enigmáticas? Desistam de me acudir com argumentos lógicos, empíricos ou científicos, mas se existir algo que provoque em vocês uma reação semelhante, não deixem de me contar. Vou me sentir melhor: companhia é tudo de bom.

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Sobre o Autor

Claudia G. R. Valle

Claudia G. R. Valle

De Algarve, mas mora no Rio de Janeiro. Já foi professora e matemática. Em suas crônicas, aborda temas leves e bem humoradas, e do cotidiano moderno. Acredita que rir ainda é o melhor remédio e que o riso também é capaz de provocar reflexões profundas.

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