Crônicas

Música em poesia

Bia Mies
Escrito por Bia Mies

A lua despia-se de sua face crescente para vestir algo mais elegante e volumoso. As ondas do mar brincavam despistando quatro constantes marcas de pés que naquela noite vagavam sem rumo pelas dunas de uma praia qualquer. O céu não tirava a atenção dos olhares de ambos os indivíduos, que brilhavam como estrelas que o infinito jamais conseguirá reproduzir em quaisquer evoluções do “ano-luz” (sabe-se que o brilho estrelar que vemos pertence a estrelas que já não mais existem).

A cena dera um pause antes dos beijos e suspiros, congelando as ‘desconhecidas-ousadas’ respirações que só dois corações apaixonados são capazes de detectar perante toda a maresia e o quebrar delicado das ondas de um oceano.

Eram duas criaturas tão parecidas que não havia outra explicação se não trama do destino o encontro inesperado dezoito anos depois de seus nascimentos (numa média mais do que justa de idades).

Ele de peixes, ela, sagitariana. Ele músico, ela escritora. Ambos atores, cantores. Ambos encantados e, logo sem seguida (se assim se pode denominar alguns poucos segundos depois), apaixonados.

Ajoelhados na areia branca – tão alva quanto o desbotado de suas peles – ele, de um repente, estende a mão esquerda, que é enlaçada com cautela por ela, que sorri. Ele reponde-a com um riso – misto de sensualidade e serenidade. Ela fraqueja. Ele segura-a, comigo não precisa temer perigo algum. Ela o sufoca com o olhar, que recai sobre seus lábios ainda secos. Ele a puxa para si, entre os braços de um lutador de kung-fu a paisana.

Dois corpos, quatro braços, um volume a distância. Canção em compasso dois por quatro.

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Sobre o Autor

Bia Mies

Bia Mies

Carioca, nascida em 1988, de origens itaiana-suíça-portuguesa, cronista, artista, arquiteta, atriz, urbanista; do mundo...
Esta autora escreve aos Domingos.

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