Crônicas

Não adianta chorar o petróleo derramado

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Continuamente, escrevo sobre as ilusões e aberrações da Terra Brasilis. Entretanto, o estado do Rio de Janeiro, que vive hoje um dos piores momentos de sua história, merece com distinção, um capítulo à parte.

A cidade calamitosa, capital do purgatório a 50ºC, escreve, entre quedas de ciclovia, atrasos da Supervia, tiroteios todo dia, muitas páginas sem monotonia!

Um estado quebrado, açoitado e desfigurado é a triste radiografia!

A culpa, segundo uns, é da crise. Identidade? Maturidade? Governabilidade? A crise, de acordo com outros, tem sua origem nos preços baixos do barril de petróleo. Quem tem razão? Há uma razão? Pura enrolação?

Há décadas, discute-se o uso dos royalties do petróleo na economia fluminense. Somas vultosas sempre chamaram a atenção no orçamento de vários munícipios e do próprio estado. Shows, espetáculos e propaganda deram o tom ao longo dos anos no paraíso das reservas do ouro negro. Enfim, muito dinheiro gasto, porém, quase nada planejado, quase nada pensado de forma a manter cidades e estado no caminho do desenvolvimento.

Há anos, discute-se, também, a redistribuição dos valores concedidos aos estados produtores. Os orçamentos extraordinários continuaram. Os shows, os espetáculos e as propagandas igualmente. Mais dinheiro gasto, como sempre, não planejado. Desenvolvimento mesmo? Nem em retrato!

A redistribuição chegou, o preço do barril despencou e NINGUÉM se preparou! Simples assim! A despeito dos escândalos de corrupção que empurraram a Petrobrás ladeira abaixo (fato sim que intensificou o cenário desolador), não houve planejamento, não houve antecipação, não houve redirecionamento… Restou a confusão!

Como é de costume nas terras abaixo da linha do equador, faz-se remendos, costura-se o pano roto e esfarrapado, conserta-se o que não tem mais conserto, nomeia-se o inominado…

A crise é apenas a consequência de descaminhos, de desgovernos, de pernas bambas e de vozes fracas e inaudíveis! A crise é apenas uma caricatura monstruosa do arremedo do arremedo de um país. A crise é a constatação da falência de um sistema completo. Indecente? Imprudente? A crise, de acordo com a boa sabedoria popular, é conversa pra boi dormir!

Mas não adianta agora chorar o petróleo derramado! Derramado continua e derramado está.

Há pouco tempo das olimpíadas, a baía de Guanabara continua suja e fétida e cheia de óleo. Há bastante tempo discute-se a despoluição da baía! Há muito tempo, “gasta-se” com esta mesma despoluição!

A saúde continua na UTI, a segurança continua insegura e a educação continua semianalfabeta. Mas quanto não foi “gasto” e discutido para reverter a situação?

O problema não é a crise, mas o excesso de discussão vazia e nenhum planejamento!

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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