Crônicas

Não Deu Mais Pra Segurar: Fomos Destruídos!

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

No principio era quase nada: sabiam-se as horas e alguns números de telefone, um samba de Ary Barroso e quando terminariam as aulas. Quase nada. Mas a pressão interna aumentou na medida em que fomos mártires do cotidiano. E, em breve, havia mais temas nas conversas noturnas.

Soubemos quem era o responsável pela desgraça do país. E quem se aventurava a uma postura messiânica. Começamos a nos interessar por poesia e pela biografia dos “santos”. Iniciamos correspondência com algumas autoridades (as que aceitaram o jogo…).

Já não era como no princípio: sabiam-se as horas e, também, que o mundo não se divide entre mocinhos e bandidos. O mundo se divide em mais de 7 bilhões de mundanos. Descobrimos. Isto descobriu.

E fomos acumulando conhecimento: embaixo das camas, na gaveta das camisas, no bolsinho das moedas. Começamos a brilhar, uns para os outros, como as estrelas de cinema. E trocamos nossos nomes profanos por outros mais respeitáveis.

E fomos acumulando conhecimento. Havia carregadores de informações, como no cais do porto, e um grande estômago para tudo digerir. Havia grandes ventiladores pendurados no teto, apenas para distrair os nossos suores. Havia quem se penalizasse. Quem chamasse os Bombeiros. Quem chamasse a polícia. Quem chamasse o ladrão. Quem chamasse o hospício…

Mas fomos acumulando conhecimento, e tanto e sempre e com tal zelo, que cada gota era um oceano e cada centímetro uma volta ao mundo. E, então, a bem da humanidade poder dormir o seu sono ignorante, tivemos de ser destruídos.

Tivemos de ser destruídos…

Tivemos de ser destruídos…

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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