Crônicas

Neste Ano preferi ficar com o idioma de Babel que separa os homens…

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Esse foi sem dúvidas um dos melhores anos da minha vida. Fui feliz e sabia o porquê dessa felicidade. Tudo pelo fato de haver feito as mesmas coisas e vivido do mesmo (é proposital) jeito que vivi em anos outros. Não matei. Não roubei nem sacaneei ninguém. Não corrompi nem fui corrompido. Mais: se não me corrompi entre a plebe, diante de reis em nenhum momento perdi a naturalidade. Assim, todas as noites, apesar do barulho lá fora, fecho as portas da alma, abro as janelas dos sonhos e durmo bem.

Nesse ano que passou em nenhum momento pensei em pegar atalhos por esses serem práticos e menos cansativos. Não me esqueci do bem-estar que as nossas almas nos proporcionam quando o caminho que traçamos – o caminho somos nós que o fazemos – é seguido fielmente do começo ao fim. Não me esqueci um só dia neste ano que se despede que o Ser será sempre mais importante que o Ter. Embora que muitos ao nosso redor continuem pensando o contrário.

Do primeiro a último dia do ano que se vai, encarei as verdades sem medo de ser flagrado pela mentira na primeira esquina do olhar. Os olhos para alto, depositando Nele toda a minha fé e pedindo mais fé ainda, pois, infelizmente, a cada dia preciso ser ainda mais crente, deixei que as mentiras ficassem pelo caminho. Fui caravana da verdade e as mentiras cachorros ladrando e ficando pelo caminho. E por mais que fosse tentado noites e dias no deserto da minha solidão interior, em nenhum momento fraquejei e ofereci a minha alma ao diabo em troca do mundo.

Neste ano que passou não sentei no deserto dos irmãos ausentes nem jejuei. E se não comi o pão que o diabo amassou, foi porque o meu Deus assim não o quis. Mas, infelizmente, estive ao lado de pessoas que passaram por tudo isso nesse ano que passou. Mas para não morrer de tédio ou de omissão, fiz a minha parte. E se não fraquejei, foi porque Ele que tudo pode e tudo sabe me fortaleceu. Também não quis nem pretendi falar a língua dos anjos. Preferi ficar com a imperfeição do idioma de Babel que separa os homens.

Se todo homem traz no peito multidões, não poderia este escriba sentir-se solitário nesse ano que passou. Mas, apesar de bem acompanhado, tive que aprender – mesmo não plantando – a separar o trigo da verdade da mentira que muitos preferiram plantar na seara de seus corações. Mas que não se enganem, não fui nem nunca pretendi ser um Francisco de Assis, o meu santo preferido. Durante o ano que se despede, fui este mesmo escriba imperfeito flagrado muitas vezes pela armadilha da palavra. Um sujeito íntegro, digno (permitam-me dizer assim) e que somente dobrou os seus joelhos para agradecer.

De uma coisa, porém, podem ter certeza: se tiver que me arrepender de alguma coisa que não fiz nesse ano que termina, será por aquela que o meu medo não me deixou fazer por temer estar fazendo errado. Nada me arrependo e não me arrependo de nada. E se não sou totalmente feliz, pois ninguém o é, pelo menos sei o que é felicidade. E saber o que é felicidade é o primeiro passo para quem deseja ser feliz. Totalmente feliz. Um puto Ano para todos. Velho ou Novo. A escolha será de vocês.

Até quinta, Isabelas!

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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